Moradores de Eldorado do Sul, na Região Metropolitana de Porto Alegre, passaram a terça-feira (1º) tentando recuperar o que restou após o temporal que atingiu a cidade no fim da tarde de segunda-feira. Em diversos bairros, o trabalho era para reconstruir telhados danificados pela ventania e pela chuva intensa.
No bairro Cidade Verde, Silvani da Rosa Moreira, de 60 anos, ainda sentia o impacto da tempestade. "Arrancou duas telhas de um lado da casa e as cumeeiras de outra. Molhou tudo dentro de casa. O vento veio e não deu nem tempo de fechar a casa direito. Parecia que a casa ia voar inteira", relatou.
Com a ajuda do marido e de um vizinho, ela tentava cobrir parte da residência para evitar novos danos. Algumas telhas mais velhas que estavam guardas foram utilizadas de forma provisória.
Luciano Rodrigues Ribeiro, de 44 anos, também no Cidade Verde, esteve com outros familiares na residência de uma irmã, que mora sozinha com as duas filhas. Segundo ele, a mulher viu o telhado inteiro ser arrancado pelo vento.
Na manhã desta terça-feira, parte do telhado foi recolocado utilizando as poucas telhas que puderam ser reaproveitadas. "O telhado foi arrancado com as madeiras e tudo. Minha irmã e minhas sobrinhas estavam em casa na hora, mas conseguimos tirar elas de dentro. Agora vamos tentar conseguir telhas com a Defesa Civil. Se não, vou tirar de uma casa desativada para colocar aqui", disse.
No bairro Vila da Paz, Luiz Altair Santos, de 70 anos, remendava o telhado com material antigo. "Cinco telhas voaram. Dentro de casa molhou tudo. Agora estou colocando umas telhas velhas e remendando, não tem o que fazer", comentou.
Além dos estragos nas casas, a cidade segue parcialmente sem energia elétrica. Na Rua Juscelino Kubitschek, o aposentado Luiz Carlos Brasil, de 74 anos, relatou que postes foram danificados pela ventania. "Os fios de alta tensão seguraram, senão teria sido pior. Mas estamos sem luz desde a tarde de ontem e agora temos que aguardar a boa vontade da CEEE Equatorial", afirmou.
De acordo com a Defesa Civil, 260 residências tiveram os telhados danificados, além de 15 escolas e três postos de saúde. A Prefeitura decretou situação de emergência e distribui lonas para os atingidos. O ginásio municipal foi aberto para abrigar cerca de 30 desabrigados, enquanto outros 20 foram acolhidos por familiares.
Cerca de 50 árvores caíram e a Delegacia de Polícia teve parte do telhado arrancado. Aos menos 25 postes de energia caíram ou ficaram parcialmente caídos. Os bairros mais afetados foram Cidade Verde, Chácara, Delta do Jacui, Vila da Paz, Sol Nascente, Costaneira, Sans Souci.
Conforme a secretária desenvolvimento social e trabalho, Tatiane Soares, a Defesa Civil está mapeando os problemas para auxiliar a população. "A gente tem sete bairros afetados. Estamos com oito equipes nas ruas, com um engenheiro à disposição. Também estamos fazendo o acolhimento social das famílias que necessitam", afirmou.
Correio do Povo