Os números da dengue no Rio Grande do Sul em 2025 estão mais favoráveis do que no mesmo período do ano passado, segundo a Secretaria Estadual da Saúde (SES), mas o sinal de alerta está ligado no Estado. "O pico da epidemia normalmente ocorre em abril, conforme o acompanhamento de nossa série histórica", afirma a bióloga do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs), Valeska Lagranha. "Isto significa que teremos um aumento bem significativo no número de casos". Mas se a dengue está menor, outra doença relacionada ao mosquito, a chikungunya, cresceu no RS.
Até este domingo, de acordo com o Painel de Casos de Dengue no RS, o Estado tinha 3.728 casos de dengue confirmados, dos quais 3.342 foram autóctones, ou seja, contraídos no próprio município. Para se ter uma ideia, na mesma época no ano passado, o RS tinha em torno de 72 mil confirmações para a dengue. A taxa de incidência na semana epidemiológica 13 em 2025 era de 13,29 casos a cada 100 mil habitantes, cerca de dez vezes menos em relação ao mesmo período de 2024 (135,71), considerado um ano "atípico" pela profissional.
Em 2025, 165 municípios gaúchos têm casos confirmados da doença, enquanto 474 estão infestados pelo mosquito Aedes aegypti. Há no RS um óbito confirmado, em Porto Alegre, de uma paciente adulta do sexo feminino, falecida no último dia 15 de março. No entanto, os dados podem estar subnotificados, uma vez que os municípios ainda enviam informações para a SES ao longo do tempo. Em 2024, o Rio Grande do Sul teve 281 mortes, 23 em São Leopoldo, município líder.
Mesmo com os números mais baixos até o momento neste ano, Valeska afirma que a vigilância deve ser constante, tanto pela iminência da chegada do pico da arbovirose, quanto pelo recente início da circulação do sorotipo DENV-3 no Rio Grande do Sul, situação que gerou um alerta epidemiológico emitido pela SES no último dia 10. Este sorotipo, que somente havia sido reportado no RS em 2007 e 2016, foi identificado em um paciente da Capital com histórico de viagem para Alagoas, e início dos sintomas, como febre, mialgia, náuseas, dor nas costas, artralgia (dor nas articulações) e cansaço excessivo, em 14 de fevereiro.
"Nos últimos anos, tivemos a predominância dos sorotipos 1 e 2, então toda a população infectada pela dengue neste período foi, muito provavelmente, com a presença destes dois. A introdução do sorotipo 3 significa que toda a população pode estar vulnerável novamente a novas infecções. A literatura médica também mostra que estas infecções tendem a gerar um quadro mais grave", adverte a bióloga.
Aumento nos casos de chikungunya chamam a atenção
Já a chikungunya está sendo vista com atenção redobrada. No ano passado, houve dez casos confirmados desta doença em oito municípios no RS; neste ano, já são 39, ou quatro vezes mais, em 11 cidades. Quatro dos casos em 2024 foram autóctones; em 2025, o número é de 27. As notificações, porém, ainda são maiores em 2024, com 935, contra 224 neste ano. "Sabemos que a população circula, assim como os pacientes, então podemos ver um espalhamento destes casos para outras regiões do Estado".
Nem a chegada do frio nos próximos dias deve frustrar a proliferação do mosquito, já que a espécie consegue se desenvolver em temperaturas amenas ou mais baixas do que as atuais. "O mosquito se adaptou às condições climáticas do Rio Grande do Sul", comenta Valeska. Em Porto Alegre, a situação é bastante similar. A Capital tinha, até este domingo, 2.436 casos, cerca de duas vezes e meia menos do que no mesmo período de 2024, conforme o Painel de Arboviroses da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), com maior prevalência no chamado Eixo Baltazar, em bairros como Passo das Pedras e Jardim Itu.
O Índice Médio de Fêmeas de Aedes aegypti (IMFA) mais recente divulgado pela Prefeitura, referente aos dias 16 a 22 de março (semana epidemiológica 12), estava no nível crítico (acima de 0,6), de onde nunca saiu em 2025, embora menos do que em semanas anteriores, com 0,88. 45% das armadilhas com coletas tiveram resultado positivo para o mosquito neste período e 33 bairros estavam no mesmo nível mais alto.
POA 24 HORAS