A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta quinta-feira, a Operação Cadeia de Comando, com o objetivo de combater o tráfico de drogas e outras atividades criminosas coordenadas de dentro de estabelecimentos prisionais do Rio Grande do Sul. A ofensiva, realizada pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) de Viamão, contou com apoio operacional da Polícia Penal. Ao menos 10 pessoas foram presas.
A ação mobilizou 172 policiais civis, além de agentes da Polícia Penal. Ao todo, conforme a Polícia Civil, foram cumpridos 36 mandados de busca e apreensão e 11 mandados de prisão preventiva em Alvorada, Viamão, Canoas, Gravataí, Agudo e Balneário Pinhal.
A operação também teve como alvo cinco estabelecimentos prisionais: a Penitenciária Estadual de Porto Alegre, a Cadeia Pública de Porto Alegre, a Penitenciária Estadual de Charqueadas III, a Penitenciária Estadual do Jacuí e a Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas.
Conforme o titular da Draco de Viamão, delegado Alexandre Luiz Fleck, as investigações começaram em fevereiro deste ano, quando a unidade especializada passou a monitorar um alvo ligado a um grupo criminoso estabelecido principalmente em Alvorada, mas com atuação em outros municípios da Região Metropolitana.
A organização, que se identificava como “Tropa do Caos”, integra uma facção criminosa e atuava de maneira articulada no tráfico de drogas e em delitos relacionados. Segundo a investigação, o grupo também tinha envolvimento em roubos, homicídios e tráfico de armas.
Os investigadores identificaram que parte da coordenação das atividades era feita por integrantes que já estavam presos. Por meio de aplicativos de mensagens, eles transmitiam ordens a outros membros que estavam fora do sistema prisional.
As determinações envolviam o transporte e a entrega de entorpecentes, a movimentação de armas de fogo e coletes balísticos, além da disponibilização de veículos para a prática de crimes. A comunicação também era utilizada para organizar outras tarefas relacionadas à atividade criminosa.
A investigação aponta que a atuação do grupo tinha como marca o uso da violência, incluindo agressões e torturas na cobrança de dívidas. Além da Região Metropolitana, os policiais identificaram ligações da organização com municípios do interior do Estado e do Litoral Norte.
Com a operação deflagrada nesta quinta-feira, a Polícia Civil busca avançar na coleta de provas e no cumprimento das ordens judiciais relacionadas à investigação. “As investigações apontam a necessidade urgente de se encontrar meios de obter embasamento legal capaz de proporcionar meios que, efetivamente, consigam impedir que indivíduos já presos continuem praticando e, principalmente, gerenciando a atividade criminosa, haja vista que, mesmo com todo o esforço realizado pela Polícia Penal, tal prática continua não encontrando desestímulo suficiente”, afirmou Fleck.
