Há mais de um mês, o desaparecimento de Silvana Germann de Aguiar, de 48 anos, e de seus pais, Isail Aguiar, 69, e Dalmira Aguiar, 70, mobiliza a Polícia Civil em Cachoeirinha, no Rio Grande do Sul. O caso, que inicialmente era tratado como um sumiço, ganhou contornos de tragédia após as investigações levarem as autoridades a classificarem o desaparecimento de Silvana como feminicídio e o de seus pais como duplo homicídio. A Polícia Civil já possui elementos robustos que apontam para a autoria desses crimes, mantendo o ex-companheiro de Silvana como o principal suspeito da investigação.
Desaparecimentos com Evidências de Crime Violento
A gravidade do caso levou a Polícia Civil a incluir Silvana Germann de Aguiar na lista de vítimas de feminicídio do Rio Grande do Sul, tornando-a a 20ª vítima do ano. A decisão de reclassificar o caso, tanto para Silvana quanto para seus pais, baseia-se no extenso período de tempo desde o sumiço – mais de um mês – e na completa ausência de comunicação, algo incomum na era atual. A delegada Waleska Alvarenga, diretora da Divisão de Proteção e Atendimento à Mulher de Porto Alegre, e o delegado Anderson Spier, responsável pelo caso, afirmam que as evidências colhidas são suficientes para descartar a possibilidade de a família ser encontrada com vida, indicando um desfecho fatal para os três.
O principal alvo da investigação é Cristiano Domingues Francisco, ex-companheiro de Silvana, que já se encontra preso temporariamente. A Polícia Civil sustenta possuir elementos cruciais para indiciá-lo pelo desaparecimento e pelas mortes, mesmo diante da ausência dos corpos. O delegado Spier ressalta que, embora o inquérito possa ser concluído em breve, o Ministério Público precisará de todos os subsídios para embasar uma ação penal e dar andamento ao processo judicial.
O Celular de Silvana: Peça Chave na Investigação
Um dos desdobramentos mais significativos da investigação foi a descoberta do celular de Silvana. O aparelho foi encontrado em 7 de fevereiro, em um terreno baldio de Cachoeirinha, após uma denúncia anônima detalhada. As imagens divulgadas pela polícia mostram que a câmera do telefone estava coberta por fita isolante, um indício de que o objetivo era impedir registros. Embora não tenha sido encontrado material genético no dispositivo, a análise técnica revelou que o aparelho não se deslocou da Região Metropolitana de Porto Alegre desde a data do desaparecimento.
A importância do celular se acentua com a informação de que foi a partir dele que uma ligação foi feita aos pais de Silvana, Isail e Dalmira. Esta chamada ocorreu um dia após o desaparecimento da filha e no mesmo dia em que o casal de idosos foi visto pela última vez, indicando uma possível tentativa de manipular os acontecimentos ou de criar uma falsa pista.
Relação Conturbada e a Linha do Tempo da Tragédia
A relação entre Silvana e Cristiano é descrita pela polícia como conturbada, com divergências principalmente relacionadas à criação do filho que tinham em comum. Essa tensão pré-existente se manifestou em eventos que antecederam os desaparecimentos. No dia 2 de janeiro, Silvana buscou contato com o Conselho Tutelar e, em 9 de janeiro, compareceu ao órgão para registrar que o ex-marido desrespeitava as restrições alimentares do filho.
A linha do tempo do fim de semana fatídico revela detalhes sombrios: Silvana foi vista pela última vez em 24 de janeiro (sábado). Na mesma noite, uma publicação em suas redes sociais informava sobre um suposto acidente em Gramado, uma informação que a polícia desmentiu, classificando-a como uma tentativa de despistar o sumiço. Câmeras de segurança registraram movimentações atípicas de veículos na residência de Silvana naquela noite, com carros entrando e saindo em horários específicos.
No dia seguinte, 25 de janeiro (domingo), alertados por vizinhos sobre a postagem de Silvana, seus pais, Isail e Dalmira, saíram em sua busca. Após tentativas frustradas de registrar o desaparecimento na delegacia, que estava fechada, o casal seguiu para a casa de Cristiano. Em seu depoimento inicial como testemunha, o ex-genro alegou que os sogros pediram ajuda para procurar Silvana, mas ele teria dito que os auxiliaria mais tarde. Horas depois da visita, os idosos foram vistos por vizinhos entrando em um carro não identificado e, desde então, nunca mais foram vistos.
Andamento das Investigações e Posição da Defesa
A Polícia Civil já ouviu mais de 30 pessoas no decorrer da investigação, e Cristiano Domingues Francisco permanece como o único suspeito. Diante do quadro de evidências, a corporação considera a possibilidade de concluir o inquérito mesmo que os corpos das vítimas não sejam localizados, um procedimento amparado pela legislação em casos de grande clareza probatória.
Por sua vez, a defesa de Cristiano mantém a alegação de inocência, argumentando que as provas apresentadas contra ele são meramente circunstanciais. O suspeito optou por permanecer em silêncio nas duas ocasiões em que foi chamado para depor, exercendo seu direito constitucional.
A Polícia Civil de Cachoeirinha segue empenhada na elucidação completa do caso, buscando cada detalhe que possa fortalecer a acusação e levar à responsabilização pelos crimes que chocaram a comunidade gaúcha.
Fonte: https://g1.globo.com
