Uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) foi criada pela Câmara de Vereadores de Porto Alegre para investigar furtos e receptação de fios, cabos e materiais metálicos na Capital. Na primeira reunião de trabalho, os vereadores definiram a composição da mesa que conduzirá os trabalhos da comissão.
A presidência ficará com o vereador Ramiro Rosário, autor do pedido de criação da CPI. A composição terá como vice-presidente o vereador Marcos Felipi Garcia e como relatora a vereadora Mariana Lescano.
Segundo Rosário, o objetivo da comissão é investigar a rede criminosa por trás dos furtos de cabos e materiais metálicos e propor medidas para combater o problema na cidade. “Faremos uma CPI séria, mas que vem, obviamente, a cumprir com os desejos e cobranças da sociedade com relação ao aumento deste tipo de crime na cidade de Porto Alegre”, afirmou.
O vereador prometeu celeridade no processo e destacou que parte dos furtos está associada a problemas sociais e ao consumo de drogas, mas também apontou a existência de uma cadeia de receptação. “Se alguém furta é porque alguém compra. Temos uma rede criminosa instalada na cidade que precisa ser trazida à tona”, acrescentou.
Os furtos de cabos têm provocado prejuízos a serviços essenciais da Capital. Um dos episódios citados no pedido de criação da comissão foi o furto de cabos na Estação de Bombeamento de Água Tratada Padre Cacique, que deixou cerca de 85 mil pessoas sem água em seis bairros da cidade.
Durante a reunião, a relatora da CPI, Mariana Lescano, afirmou que o trabalho buscará identificar caminhos para reduzir os crimes e os impactos à população. “Sabemos que os roubos de fios acabam atrapalhando a vida das pessoas, de comerciantes e também de moradores que ficam sem luz ou internet quando esses materiais são levados”, disse.
Ela destacou ainda que a investigação deverá analisar a atuação de estabelecimentos que compram materiais metálicos furtados, ressaltando que nem todos os pontos de reciclagem estão envolvidos com irregularidades.
O vice-presidente da comissão, Marcos Felipi Garcia, sugeriu que os vereadores elaborem rapidamente um plano de trabalho para dar início às oitivas. “A gente pode já na próxima semana votar o plano de trabalho e iniciar as primeiras oitivas, que serão fundamentais para que a CPI produza um relatório consistente”, afirmou.
A comissão terá prazo inicial de 120 dias, prorrogável por mais 60, para concluir os trabalhos. As reuniões devem ocorrer sempre às segundas-feiras, às 10h. Na próxima semana, deverão ser definidas as próximas oitivas e fiscalizações que serão realizadas. Ao longo da investigação, a mesa deverá ouvir representantes de órgãos de segurança, concessionárias de serviços públicos, especialistas e integrantes de setores afetados pelos furtos.
