Porto Alegre voltou a registrar a quinta cesta básica mais cara do país em fevereiro de 2026, repetindo a posição observada em janeiro, segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) divulgados nesta segunda-feira, 9. O conjunto de alimentos custou R$ 786,84 na capital gaúcha no período.
Apesar da posição entre os maiores custos, o valor representa queda de 1,07% em relação a janeiro. Na comparação com fevereiro de 2025, porém, houve alta de 2,22%, enquanto no acumulado de 2026 a variação foi de 0,33%.
Capitais mais caras
No ranking das 27 capitais pesquisadas, Porto Alegre ficou atrás apenas de São Paulo (R$ 852,87), Rio de Janeiro (R$ 826,98), Florianópolis (R$ 797,53) e Cuiabá (R$ 793,77).
Entre os 13 produtos que compõem a cesta básica, a maioria apresentou redução de preço médio entre janeiro e fevereiro.
Alimentos em destaque
As maiores quedas foram registradas na batata (-10,28%), no óleo de soja (-5,58%) e na banana (-3,43%). Também tiveram diminuição de preço a manteiga (-3,11%), o arroz agulhinha (-2,14%), o açúcar refinado (-1,72%), o tomate (-1,42%), o café em pó (-1,24%), a farinha de trigo (-0,64%) e a carne bovina de primeira (-0,64%).
Por outro lado, três itens registraram alta no período: o feijão preto (5,51%), o leite integral (1,78%) e o pão francês (0,85%).
Impactos no orçamento
O levantamento também aponta o impacto no orçamento do trabalhador. Para adquirir a cesta básica em fevereiro, um trabalhador remunerado pelo salário mínimo de R$ 1.621 precisou cumprir uma jornada de 106 horas e 47 minutos. O tempo é menor do que o registrado em janeiro de 2026 (107h57) e em fevereiro de 2025 (111h34).
Considerando o salário mínimo líquido — após o desconto de 7,5% para a Previdência Social — a compra da cesta básica comprometeu 52,48% da renda mensal do trabalhador porto-alegrense. Em janeiro deste ano, esse percentual era de 53,05%.
No contexto nacional, O Dieese estimou que o salário mínimo necessário para sustentar uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 7.164,94, o que equivalea 4,42 vezes o salário mínimo vigente de R$ 1.621,00.
Em média, o trabalhador brasileiro precisou cumprir uma jornada de 93 horas e 53 minutos apenas para comprar a cesta, comprometendo 46,13% de sua renda líquida
Ao comparar fevereiro de 2026 com o mesmo mês do ano anterior (nas 17 cidades com série histórica), o cenário é mais positivo, com redução de preços em 12 municípios e alta em apenas cinco, sendo Porto Alegre a capital com o maior aumento nesse período (2,22%).
