O influenciador e humorista Dilson Alves da Silva Neto, conhecido como Nego Di, enfrenta um novo capítulo em sua extensa série de embates judiciais. A Justiça determinou o bloqueio de parte da arrecadação de ingressos de seu show de stand-up “Diário Di um ex detento”, agendado para 14 de março em Biguaçu, Santa Catarina. A medida visa garantir o pagamento de uma dívida que remonta à sua antiga sociedade em um estabelecimento comercial.
Dívida Empresarial e Bloqueio de Bilheteria
A decisão, proferida recentemente pelo 5º Juizado Especial Cível de Porto Alegre, estabelece a retenção de até R$ 7.266,40 sobre a venda de ingressos. A plataforma Pensa no Evento, responsável pela comercialização das entradas, foi notificada para reservar e reter os valores até o limite definido no processo. Este montante se refere a uma dívida em fase de cumprimento de sentença, originada da Casa Dus Guris Comércio de Bebidas Ltda., um bar onde Nego Di era sócio e que encerrou suas atividades meses após o surgimento dos primeiros problemas legais envolvendo o humorista.
Antes dessa determinação sobre a bilheteria, o sistema judiciário já havia empreendido outras tentativas de satisfação do crédito. Houve um bloqueio parcial de R$ 1.641,79 nas contas da empresa em agosto do ano passado, considerado insuficiente. Mais recentemente, em janeiro deste ano, foi deferida a penhora no rosto dos autos de outro processo para alcançar o valor atualizado da dívida. A defesa de Nego Di foi contatada pela reportagem, mas não houve retorno até a última atualização.
Um Histórico Conturbado de Questões Legais
Este bloqueio de renda se insere em um contexto maior de desafios jurídicos que Nego Di vem enfrentando desde 2022. O influenciador responde a diversos processos, com acusações que abrangem estelionato, lavagem de dinheiro, uso de documento falso e promoção de loteria ilegal. Sua trajetória recente inclui um período de 130 dias de prisão, culminando na obtenção de liberdade provisória em novembro do ano passado. No entanto, a concessão da liberdade veio acompanhada de medidas cautelares rigorosas, como a proibição de uso de redes sociais, a entrega do passaporte e a exigência de comparecimento periódico em juízo, das quais ele já foi advertido por violação.
Os Desdobramentos do Caso 'Tá Di Zueira'
Um dos processos mais notórios envolvendo Nego Di é o da loja virtual 'Tá Di Zueira'. Entre março e julho de 2022, ele e seu sócio, Anderson Boneti, são acusados de lesar mais de 370 pessoas, gerando um prejuízo estimado em R$ 5 milhões, conforme investigações da Polícia Civil e do Ministério Público. Há também registros de crimes similares ocorridos entre março e julho de 2021, afetando 16 vítimas em Canoas. O inquérito policial foi concluído em agosto de 2023, resultando em um pedido de prisão preventiva.
A Justiça decretou a prisão em julho do ano passado, após manifestação favorável do Ministério Público. Nego Di foi detido preventivamente em Florianópolis e permaneceu por mais de quatro meses na Penitenciária Estadual de Canoas (Pecan), até que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedeu-lhe a liberdade provisória por meio de habeas corpus em novembro. Apesar da soltura, o caso prosseguiu, e em junho deste ano, Nego Di e Anderson Boneti foram condenados em primeira instância a 11 anos e 8 meses de prisão em regime fechado por estelionato relacionado à 'Tá Di Zueira'. A efetivação da pena, contudo, aguarda o trânsito em julgado. Além disso, em outubro deste ano, a 29ª Promotoria de Justiça Criminal de Porto Alegre tornou-os réus em mais uma ação penal por estelionato, destacando que Anderson Boneti já se encontra detido em outro processo vinculado à mesma loja.
Outras Acusações e Apreensões de Bens
Desinformação sobre as Enchentes no RS
Nego Di também foi alvo de decisões judiciais por sua conduta nas redes sociais. Em maio do ano passado, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul determinou que ele apagasse publicações contendo notícias falsas sobre as enchentes em Canoas e Porto Alegre. A decisão o proibiu de reiterar as afirmações, sob pena de multa de R$ 100 mil.
Fraude em Rifa de Luxo e Envolvimento Conjugal
Em fevereiro deste ano, o humorista se tornou réu por suposta fraude em uma rifa virtual que prometia um Porsche avaliado em mais de R$ 500 mil. As suspeitas levantadas incluem estelionato, lavagem de dinheiro, uso de documento falso e promoção de loteria ilegal. No âmbito desse mesmo esquema, a esposa do influenciador, Gabriela Vicente de Sousa, também foi denunciada e se tornou ré por lavagem de dinheiro. Como desdobramento da ação, em agosto do ano passado, dois veículos de luxo – uma RAM Classic Laramie e uma Range Rover Velar, avaliados em conjunto em R$ 508.851,90 – foram apreendidos e tiveram seu leilão determinado pela Justiça.
Conclusão: O Cenário Judicial de Nego Di
O bloqueio dos rendimentos do show de Nego Di é mais um indicativo da complexidade do cenário judicial que o artista enfrenta. Com múltiplos processos em andamento, que vão desde fraudes em lojas virtuais e rifas até a disseminação de informações falsas, a carreira do influenciador permanece sob intenso escrutínio. As recentes condenações em primeira instância e as apreensões de bens de luxo sinalizam a seriedade das acusações, enquanto Nego Di tenta equilibrar sua vida pessoal e profissional em meio a um turbilhão legal com desdobramentos ainda incertos.
Fonte: https://g1.globo.com
