O professor de Direito e advogado Conrado Paulino da Rosa foi detido preventivamente nesta segunda-feira (2), em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. A prisão ocorre após denúncia do Ministério Público (MP) por uma série de doze crimes contra dez mulheres, incluindo estupro e cárcere privado. A medida foi concedida pela desembargadora Naele Ochoa, do Tribunal de Justiça do RS, atendendo a um pedido do MP, e marca um novo capítulo em um caso que tem gerado grande repercussão no meio jurídico e acadêmico.
As Graves Acusações e a Cronologia dos Fatos
Conrado Paulino da Rosa é acusado de estupro, estupro de vulnerável, violência psicológica e cárcere privado. Segundo as denúncias, os crimes sexuais teriam ocorrido em um período que abrange de 2013 a 2025. O professor foi indiciado por 24 ocorrências de crimes sexuais no final de 2025, conforme revelado pelo inquérito. A gravidade das alegações levou à decretação da prisão preventiva, uma medida que a defesa do acusado considera extrema e baseada em fundamentos já questionados anteriormente.
Detalhes da Investigação Policial
A investigação policial, que se estendeu por três meses, foi abrangente e coletou um vasto material probatório. Foram ouvidas 18 vítimas e 16 testemunhas, além da realização de perícias, exames e a análise de provas documentais. A Polícia Civil, devido à natureza sensível dos crimes sexuais, optou por não divulgar detalhes específicos da apuração, mas informou que os relatos das possíveis vítimas apresentam similaridades e que serão submetidas a perícias psicológicas para complementar o processo investigativo.
Histórico de Medidas Cautelares e Reações
Antes da prisão preventiva, Conrado Paulino da Rosa já havia sido detido temporariamente em 26 de setembro, sendo posteriormente liberado em 22 de outubro, dois dias antes do término do prazo da prisão. A Justiça do RS havia estabelecido uma série de medidas cautelares rigorosas contra ele, que incluíam o monitoramento eletrônico por tornozeleira, comparecimento mensal em juízo, proibição de contato com vítimas e testemunhas, e restrição de acesso a instituições de ensino superior, congressos e simpósios. Adicionalmente, seu passaporte foi retido, foi imposto recolhimento domiciliar noturno (das 20h às 6h) e proibição de deixar a comarca de Porto Alegre.
A Voz da Defesa e do Acusado
Em resposta à prisão, a defesa de Conrado Paulino da Rosa manifestou ‘extrema preocupação’, classificando a medida como ‘baseada em suposições, descontextualizações e erros de ordem fática’. Os advogados argumentam que o requerimento policial para a prisão, formulado há três meses, utiliza fundamentos já rechaçados por autoridades judiciárias em análises anteriores de pedidos similares. A defesa afirma ter protocolado documentação robusta capaz de refutar tanto os fatos denunciados quanto os argumentos para a segregação. Por sua vez, Conrado Paulino da Rosa utilizou seu perfil no Instagram para se manifestar, declarando que ‘a verdade dos fatos se sobressairá’ e que ‘repudia violência contra a mulher’.
Demissão e Carreira Acadêmica
Conrado Paulino da Rosa lecionava na Fundação Escola Superior do Ministério Público (FMP) de Porto Alegre, onde também coordenava a pós-graduação em Direito de Família e Sucessão e ministrava aulas para cursos de graduação e mestrado. Ele também foi presidente do Instituto Brasileiro de Direito de Família, Seção RS (IBDFAM-RS), e autor de 18 obras sobre o tema. A FMP informou que seu desligamento ocorreu em ‘caráter administrativo’, ‘sem juízo antecipado sobre eventuais responsabilidades relacionadas a fatos externos à instituição’, uma decisão que, segundo apuração da RBS TV, foi tomada após o início da investigação policial.
O caso segue em andamento, e as autoridades continuam a apurar as denúncias, enquanto a prisão preventiva impõe uma nova fase ao processo judicial envolvendo o ex-professor de Direito. A sociedade aguarda os desdobramentos de um caso que ressalta a importância do combate à violência contra a mulher e a apuração rigorosa de crimes que abalam a confiança pública.
Fonte: https://g1.globo.com
