O Rio Grande do Sul realizou nesta quarta-feira (6) um abrangente simulado de ação e resgate em Bento Gonçalves, na Serra gaúcha, uma das cidades do estado com maior risco geológico. A operação, que mobilizou mais de 400 profissionais e a comunidade local, teve como objetivo principal testar e aprimorar os protocolos de emergência desenvolvidos após as enchentes que assolaram a região em 2024.
Detalhes da Simulação e o Cenário Criado
O palco para este exercício inédito foi o bairro Zatt, uma área de encosta reconhecidamente suscetível a deslizamentos. Para replicar com fidelidade um cenário de desastre, a equipe organizadora empregou manequins simulando vítimas soterradas e contou com a participação de moradores e figurantes que atuaram como desaparecidos e feridos. Resgates complexos, incluindo a utilização de helicópteros para evacuação de feridos, foram praticados intensivamente. Além disso, um abrigo emergencial foi montado para acolher até 80 pessoas, oferecendo atendimento médico e psicológico imediato, refletindo a preocupação com o suporte integral às vítimas.
O Contexto Estratégico e a Validação de Protocolos
A escolha de Bento Gonçalves para sediar o simulado não foi aleatória; a cidade ocupa a quarta posição entre os municípios gaúchos com maior risco geológico, tornando-a um local estratégico para o aprimoramento da resposta a desastres. Este exercício é parte fundamental da estratégia estadual para validar os novos protocolos de emergência, concebidos após a experiência das enchentes de 2024. O coordenador da Defesa Civil do RS, coronel Luciano Boeira, enfatizou a importância dessas ações: "Exercícios deste porte são necessários para que possamos verificar e validar os protocolos. É um ambiente controlado, mas a aproximação com a realidade permite identificar com clareza o que já está consolidado e o que pode ser aperfeiçoado", destacou o oficial, sublinhando o valor prático da simulação para a segurança da população.
Mobilização Multiprofissional e Impacto Potencial
A magnitude do simulado foi evidenciada pela ampla mobilização de diversas entidades e órgãos, que trabalharam em conjunto para o sucesso da operação. Participaram ativamente a Brigada Militar, o Corpo de Bombeiros Militar, a Polícia Civil, o Instituto-Geral de Perícias (IGP), diversas secretarias estaduais, o Exército Brasileiro, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e concessionárias de serviços essenciais. Para intensificar o realismo e a resposta coordenada, a área simulada teve seus serviços de energia, água e telefonia interrompidos, e corredores exclusivos para ambulâncias foram criados. Embora o simulado tenha envolvido cerca de 140 pessoas que moram na área do exercício, a projeção é que uma emergência real em tais condições poderia afetar até 800 moradores, evidenciando a necessidade de uma capacidade de resposta robusta e integrada.
A iniciativa do Rio Grande do Sul em realizar um simulado de tamanha envergadura em Bento Gonçalves representa um passo crucial na preparação para cenários de desastre natural. Ao testar exaustivamente seus protocolos e a coordenação entre as diversas forças de segurança e apoio, o estado reforça seu compromisso com a proteção da vida e a segurança de sua população, transformando as lições aprendidas em ações concretas para um futuro mais resiliente.
Fonte: https://g1.globo.com
