No século 19, em meio ao regime escravista no Brasil, duas meninas de 12 e 14 anos decidiram desafiar o sistema ao buscar justiça contra seus proprietários por abusos e violência. Embora não tenham conseguido sucesso em suas ações, o ato corajoso destacou-se como um símbolo de resistência em um ambiente de opressão extrema.
O Lançamento do Livro que Revive Histórias Ocultas
Essas histórias e outras similares são o foco do livro 'Sobre a vida delas', escrito pela historiadora Silvana Santus. A obra, que será lançada em breve no Museu Capixaba do Negro (Mucane), localizado em Vitória, procura lançar luz sobre o cotidiano e as lutas enfrentadas por crianças negras durante o período escravista.
Exposição de Imagens Históricas
No evento de lançamento, os visitantes terão a oportunidade de explorar uma exposição composta por 14 fotos e gravuras do período entre 1870 e 1888. Estas imagens, que pertencem ao domínio público, em parte fazem parte do acervo do Instituto Moreira Sales (IMS) e ilustram a realidade do trabalho infantil escravizado.
A Realidade Crua das Crianças Escravizadas
Silvana Santus destaca que as crianças eram frequentemente tratadas como mercadorias, sendo vendidas, trocadas ou alugadas por valores inferiores aos dos adultos. Elas realizavam tarefas pesadas tanto no campo quanto dentro das casas, assumindo responsabilidades similares às dos escravizados adultos. Essa dinâmica cruel impedia que vivessem uma infância plena, mergulhando-as em um ciclo de invisibilidade e exploração.
Análise Social e Política do Tratamento Infantil
O livro de Santus aborda não apenas as vivências dessas crianças, mas também como eram percebidas pela sociedade e tratadas politicamente entre 1869 e os anos subsequentes à abolição da escravidão, em 1888. Focando no contexto do Espírito Santo, a autora oferece um exame detalhado das políticas e práticas que moldaram a vida dessas jovens.
Conclusão
A iniciativa de Silvana Santus em documentar e debater a história das crianças escravizadas revela um capítulo muitas vezes negligenciado da história brasileira. Ao trazer à tona essas narrativas, a autora não apenas presta homenagem a essas jovens, mas também incentiva uma reflexão mais profunda sobre as injustiças do passado e a importância de reconhecer essas histórias no presente.
