Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) desenterraram uma nova espécie de réptil no Rio Grande do Sul, datada de 230 milhões de anos. Esta descoberta, batizada de Isodapedon varzealis, revelou um rincossauro com características únicas, incluindo um bico assemelhado ao de um papagaio.
A Descoberta e a Análise do Crânio
O crânio do Isodapedon varzealis foi encontrado em Agudo, na Região Central do estado, e escavado em 2020. Após cuidadosa limpeza e análise no Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia (CAPPA/UFSM), os cientistas determinaram que suas placas dentárias simétricas eram uma característica inédita entre os rincossauros.
Características do Isodapedon varzealis
Estima-se que o Isodapedon varzealis medisse entre 1,2 e 1,5 metro, mas poderia alcançar até 3 metros de comprimento. Como herbívoro quadrúpede, sua principal ferramenta de sobrevivência era um bico pontiagudo, usado para cortar plantas e escavar em busca de raízes.
Conexões Continentais no Triássico
A análise filogenética da espécie mostra uma relação próxima com o Hyperodapedon gordoni, encontrado na Escócia. Esta conexão é explicada pela disposição dos continentes no supercontinente Pangeia, que permitia a ampla dispersão da fauna.
Importância Paleontológica da Região
O Rio Grande do Sul, especialmente a área do Geoparque Mundial da UNESCO Quarta Colônia, é um local de significativas descobertas paleontológicas. Este sítio já revelou alguns dos mais antigos dinossauros e uma diversidade impressionante de répteis do Período Triássico.
Diversidade de Rincossauros no Brasil
Com a descoberta do Isodapedon varzealis, o Brasil agora conta com seis espécies de rincossauros do Triássico. Quatro dessas coexistiram, sugerindo um período de grande diversidade, provavelmente devido a diferentes adaptações alimentares.
Preservação e Exposição do Fóssil
O fóssil do Isodapedon varzealis está preservado no acervo do CAPPA/UFSM, em São João do Polêsine. Este centro faz parte do Geoparque Quarta Colônia da UNESCO e oferece uma exposição aberta ao público, permitindo que visitantes apreciem essa descoberta histórica.
A descoberta do Isodapedon varzealis não só amplia o conhecimento sobre a fauna do Triássico no Brasil como também destaca a importância contínua da exploração paleontológica na região.
Fonte: https://g1.globo.com
