No Rio Grande do Sul, um dos desafios mais urgentes é a ampliação da rede de esgoto em 18 mil quilômetros, uma meta estabelecida para ser cumprida até 2033. Esta tarefa monumental visa alcançar a universalização do saneamento básico, conforme o estipulado pelo Marco Legal do Saneamento, que exige que 90% do esgoto seja coletado e tratado, além de 99% da população ter acesso à água potável.
A Realidade do Saneamento Gaúcho
Atualmente, apenas um quarto do esgoto gerado no estado recebe tratamento adequado. Isso resulta em rios poluídos, riscos à saúde pública e prejuízos econômicos. O caminho que o esgoto deveria percorrer — desde a descarga até uma estação de tratamento — ainda é inexistente para muitos gaúchos, com efluentes sendo lançados diretamente em corpos d'água ou infiltrando no solo.
O Desafio das Infraestruturas Invisíveis
A expansão da rede de esgoto é um projeto que enfrenta obstáculos significativos. Diferente de obras como estradas e pontes, que são visíveis e muitas vezes priorizadas, as tubulações de esgoto permanecem escondidas e frequentemente negligenciadas. São construções caras, demoradas e que causam transtornos durante sua execução, dificultando a mobilização de recursos e interesse público.
O Legado de Investimentos Insuficientes
Especialistas apontam que décadas de investimentos insuficientes agravaram o problema. Enquanto o abastecimento de água sempre recebeu mais atenção, o esgoto e a drenagem urbana foram relegados a um segundo plano. Esta desproporção histórica é um dos fatores que explicam o atraso no cumprimento das metas de saneamento.
Impactos na Saúde e no Meio Ambiente
A falta de saneamento adequado tem consequências diretas na saúde da população, sendo a diarreia a doença mais comum associada a essa deficiência. Embora muitas vezes invisível nas estatísticas, devido à subnotificação, ela representa um risco significativo, especialmente para crianças. Doenças como hepatite A e leptospirose também são comuns em áreas sem tratamento de esgoto, prejudicando o desenvolvimento infantil e aumentando o absenteísmo escolar.
O Futuro do Saneamento no RS
Para transformar essa realidade, é essencial uma mudança de paradigma que inclua o saneamento como prioridade nas políticas públicas. Investir em infraestrutura não só assegura saúde e bem-estar para a população, como também protege o meio ambiente, previne enchentes e promove o desenvolvimento econômico sustentável.
A série especial "O Futuro é Básico", da RBS TV, aprofunda essa discussão, abordando os desafios e as soluções necessárias para superar um dos maiores gargalos da infraestrutura brasileira. O programa busca conscientizar a sociedade sobre a importância do saneamento básico e estimular ações concretas para mudar esse cenário.
Fonte: https://g1.globo.com
