'Estava sentindo que alguma coisa iria acontecer', diz filha de cabeleireira do RS encontrada morta em SC

Por Editor em 13/01/2022 às 17:59:29
Corpo de Lourdes Clenir Oliveira Melo, de 48 anos, foi encontrado dentro do porta-malas de um carro na madrugada desta quinta-feira (13), em Içara, no Sul de Santa Catarina. O ex-companheiro é o principal suspeito do crime. Lourdes Clenir Oliveira Melo, de 48 anos foi encontrada morta no porta-malas de um carro em SC

Arquivo pessoal

A cabeleireira gaúcha Lourdes Clenir Oliveira Melo, de 48 anos, encontrada morta dentro do porta-malas de um carro em Santa Catarina nesta quinta-feira (13), havia pedido ajuda recentemente em uma igreja. Segundo o relato da filha dela ao g1, ela estava com medo das ameaças do ex-companheiro, principal suspeito do crime.

"No domingo ela foi na igreja pedir ajuda, pois estava sentindo que alguma coisa iria acontecer. Os pastores foram lá na casa, oraram por ela", conta Camila Melo, de 24 anos. Lourdes tinha outros dois filhos, de 20 e 26 anos.

Moradora de Estância Velha, na Região Metropolitana de Porto Alegre, Lourdes estava desaparecida desde o último domingo (9). O delegado que investiga o caso, Rafael Sauthier, diz que no dia 19 de dezembro, Lourdes teve uma briga com o suspeito e chamou a Brigada Militar. Ele foi preso, mas acabou sendo solto no dia seguinte.

"Ela teve uma discussão, uma briga com ele. Eles já tinham uma relação de anos e ela acabou descobrindo uma traição. Segundo a família, ela vinha descontente porque ele bebia, era agressivo e continua no mundo do crime", diz o delegado.

Segundo a polícia, o homem de 54 anos, natural do Paraná, tem antecedentes por roubo de veículo, roubo a pedestre, roubo a estabelecimento comercial, furto, receptação, porte ilegal de arma de fogo, estupro, ameaça, desobediência e desacato.

A filha de Lourdes conta que, no dia do crime, o homem estava escondido na parte de fora da casa no momento da visita dos pastores à mãe.

"Assim que eles saíram ele entrou na casa. Os vizinhos ouviram gritos. Dois gritos dela pedindo socorro. E depois ficou tudo em silêncio", relata.

Camila diz que conseguiu ver nas câmeras de segurança da casa vizinha o suspeito estacionando o carro de ré contra a porta da casa.

"Ele estacionou o carro de ré com o porta malas colado na porta da casa. Provavelmente colocou ela já no domingo dentro do carro".

Camila com a mãe Lourdes

Arquivo pessoal

Segundo o delegado, às 9h de segunda-feira, vizinhos viram o suspeito chegar ao local de máscara e boné. "Deu 10 minutos e o veículo saiu da garagem. Depois a gente conseguiu imagens de monitoramento, onde um homem sai com o veículo, volta, fecha o portão, entra no carro e sai", diz o delegado.

No final da tarde de segunda a família registrou a ocorrência e a polícia começou as investigações. Segundo a polícia de Santa Catarina, o carro encontrado na madrugada desta quinta já estava lá desde segunda-feira.

"Ontem [os moradores] decidiram chamar a Brigada, que chegou lá e abriu as portas, estavam trancadas, na hora de abrir o porta-malas estava destrancado e o corpo estava ali enrolado num cobertor. A gente não sabe quais foram as marcas de violência, que levaram ao óbito, não se sabe a causa da morte, a perícia vai definir", diz o delegado.

Ameaças

A filha de Lourdes conta que o casal estava junto há 7 anos, mas que a mãe não queria mais o relacionamento.

"Ela não queria mais o relacionamento e mandou ele embora, começaram as ameaças. Na semana passada, ela fez o boletim de ocorrência, corpo de delito e conseguiu a medida protetiva. E as ameaças começaram a cada vez piorar", conta.

Segundo o delegado, alguns dias antes de ser preso, o homem teria estuprado Lourdes.

"Desde o dia 20 [de dezembro] até o dia do crime, ele nunca obedeceu [a medida protetiva]. Ele vivia lá na casa, rondando, ameaçando ela por WhatsApp, infernizando ela, exigindo que voltasse. Uma das ameaças era que a acusação de estupro era muito pesada, que se ela insistisse nisso ele ia acabar com a vida dela", diz Sauthier.

A polícia segue as buscas pelo suspeito.

Sonho de abrir um salão

Camila conta que a mãe trabalhava atualmente em uma escola infantil como zeladora, mas se dedicava a um sonho nas horas vagas.

"Estava fazendo curso e era manicure e cabeleireira nas horas vagas. Tinha o sonho de abrir o salão de beleza. Estava trabalhando de carteira assinada, tinha o carrinho dela, sempre muito vaidosa", fala.

Segundo a filha, Lourdes era uma pessoa tranquila que "estava sempre em casa e na igreja" e aproveitava para visitar a família em feriados.

"Quando tinha feriado ia pra Santa Catarina nos visitar", finaliza.

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