RS tem queda no número de homicídios, mas alta de feminicídios em 2021

Por Editor em 13/01/2022 às 13:57:31
Comparação é com o ano de 2020. No último ano, 97 mulheres perderam a vida em crimes contra gênero. Já 1.561 pessoas foram assassinadas. RS tem queda no número de homicídios, mas alta de feminicídios em 2021

O Rio Grande do Sul teve uma queda expressiva no número de homicídios em 2021 em comparação com o ano de 2020. Foram 1.561 vítimas de assassinato contra 1.811 em relação ao ano anterior, o que representa uma retração de 13,8%. Os dados foram apresentados pelo governo do estado na manhã desta quinta-feira (13), em Alvorada, na Região Metropolitana de Porto Alegre.

No último ano, 265 municípios não tiveram registro de assassinatos, o que representa 53% das cidades gaúchas.

Em contrapartida, o número de feminicídios, que são os crimes contra a mulher por questão de gênero, aumentou. Em 2021, 97 mulheres foram assassinadas. Já em 2020, foram 80, uma alta de 21%.

Coletiva apresentou dados da criminalidade no RS

Rodrigo Ziebell/GVG

Segundo o governo do estado, entre as 97 mulheres assassinadas, apenas 10 tinham medida protetiva de urgência (MPU) – ou seja, praticamente a cada 10 vítimas, apenas uma estava sob o amparo da decisão judicial que obriga o afastamento do agressor.

Moradora do RS é encontrada morta dentro de porta-malas em SC; ex é suspeito

O crime de latrocínio, roubo seguido de morte, também apresentou queda – de 13% em 2021. O número de casos passou de 69 para 60, o menor total desde que teve início a série de contabilização em 2002.

Entre os fatores que contribuem para o resultado, as autoridades apontam a alta resolutividade desse tipo crime, com rápida identificação e prisão dos autores em mais de 80% dos casos.

Vítimas de feminicídio por ano

Reprodução / SSP-RS

RS Seguro

A redução no total do número de crimes contra a vida se deve, segundo o governo do estado, a implantação do programa RS Seguro em 2018, que tem como objetivo reforçar a estrutura da segurança com qualificação de profissionais e compra de materiais, entre outras ações.

Somados os homicídios, latrocínios e feminicídios, as quedas em sequência nas ocorrências do tipo desde 2018 alcançam a marca de 2.056 vidas preservadas no período.

A apresentação dos dados foi feita em Alvorada porque a cidade, que já foi considerada o sexto município mais violento do Brasil, conforme o Atlas da Violência produzido pelo Fórum Brasileiro da Segurança Pública (FBSP) com dados de 2017, teve a maior redução de vítimas de homicídio em 2021 entre as 497 cidades gaúchas.

Foram 69 mortes por assassinato, 47 a menos que as 116 ocorridas em 2020, uma queda de 40,5%. Com isso, a taxa de homicídios da cidade, que no pico de quatro anos atrás, com 210 vítimas, era de 100,9 mortes para cada 100 mil habitantes, caiu para 32,5, no menor patamar desde que teve início a série histórica, em 2012.

"Em dezembro, tivemos apenas um assassinato no dia 5 e passamos os 29 dias subsequentes sem um novo registro, o que ocorreu em 4 de janeiro. Dois dias depois, o crime já estava elucidado, com suspeito preso, arma e munições apreendidas. Isso demonstra bem como o trabalho de investigação e a integração com as demais forças de segurança é fator essencial para essa virada de página que alcançamos", destaca o titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Alvorada, delegado Edimar Machado de Souza.

Crimes contra a vida nos últimos anos no RS

Reprodução / SSP-RS

Motivações

Ainda de acordo com os dados divulgados pelo governo do estado, 80% dos homicídios são relacionados a disputas entre organizações criminosas, em especial às ligadas ao tráfico de drogas. Por isso, a segurança pública tem tentado realizar a quebra dos grupos e a crescente responsabilização não apenas de executores, mas também daqueles que ordenam assassinatos.

Em 2021, apenas na Região Metropolitana de Porto Alegre, o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil realizou a prisão de mais de 1,5 mil suspeitos de envolvimento em mortes.

Também foi possível realizar a prisão de chefes de quadrilhas do tráfico fora do estado e do país. Segundo a SSP, 76% dos inquéritos de homicídios remetidos ao Ministério Público tiveram resolução, ou seja, comprovação de autoria.

VÍDEOS: Tudo sobre o RS
Comunicar erro
Sheik Burger

Comentários

Tia carmen