Vacinação contra Covid-19 e o risco de miocardite

Por Gê do Poa em 02/01/2022 às 02:37:17
A Princípio prefeitura disse que não faria Réveillon com medo da Omicron mas pelas imagens que temos em vídeo aconteceu festa na Orla sim

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Com o avanço da vacinação contra a Covid-19 ao redor do mundo, é esperado que eventos adversos menos comuns se tornem mais evidentes. Durante esse processo de farmacovigilância, a ocorrência de casos de miocardite e de pericardite associados a vacinas de RNAm chamou atenção.

Casos relacionados à vacina parecem mais comuns após a segunda dose, mas possíveis mecanismos ainda não estão bem elucidados. A associação está sendo investigada por agências norte-americanas e europeias, mas resultados de análises extensas dos casos notificados ainda não foram publicados. Recentemente, um grupo dinamarquês utilizou os registros de bancos nacionais de dados para avaliar a ocorrência de miocardite e miopericardite associados à vacinação no país.

Materiais e métodos

Utilizando os registros nacionais de vacinação, de exames laboratoriais e de testes diagnósticos de RT-PCR para SARS-CoV-2, e de diagnósticos médicos, todos os indivíduos registrados como residentes na Dinamarca entre janeiro de 2017 e outubro de 2020. Indivíduos com diagnóstico de miocardite ou miopericardite entre 2017 e setembro de 2020, com dois tipos de vacina e com teste positivo para Covid-19 foram excluídos.

Para cada dose, os residentes vacinados foram seguidos desde a data da administração até o dia 28 após a vacina. No artigo, são apresentados somente os dados relacionados ao uso das vacinas Moderna (mRNA-1273) e Pfizer (BNT162b2). Covariáveis estudadas incluíram idade, sexo, grupo de prioridade para vacinação e a presença de comorbidades clínicas.

O desfecho primário foi o registro de miocardite ou miopericardite como diagnóstico associado a aumento de níveis séricos de troponina e internação hospitalar por mais de 24 horas. Aumentos nos níveis de troponina dentro das 48 horas antes ou depois do diagnóstico foram considerados. Como desfecho secundário adicional, avaliou-se a associação de vacinação contra Covid-19 e o desfecho combinado de parada cardíaca e morte. Para os indivíduos com miocardite

Materiais e métodos

Utilizando os registros nacionais de vacinação, de exames laboratoriais e de testes diagnósticos de RT-PCR para SARS-CoV-2, e de diagnósticos médicos, todos os indivíduos registrados como residentes na Dinamarca entre janeiro de 2017 e outubro de 2020. Indivíduos com diagnóstico de miocardite ou miopericardite entre 2017 e setembro de 2020, com dois tipos de vacina e com teste positivo para Covid-19 foram excluídos.

Para cada dose, os residentes vacinados foram seguidos desde a data da administração até o dia 28 após a vacina. No artigo, são apresentados somente os dados relacionados ao uso das vacinas Moderna (mRNA-1273) e Pfizer (BNT162b2). Covariáveis estudadas incluíram idade, sexo, grupo de prioridade para vacinação e a presença de comorbidades clínicas.

O desfecho primário foi o registro de miocardite ou miopericardite como diagnóstico associado a aumento de níveis séricos de troponina e internação hospitalar por mais de 24 horas. Aumentos nos níveis de troponina dentro das 48 horas antes ou depois do diagnóstico foram considerados. Como desfecho secundário adicional, avaliou-se a associação de vacinação contra Covid-19 e o desfecho combinado de parada cardíaca e morte. Para os indivíduos com miocardite ou miopericardite, foram avaliados também estimativas de admissões hospitalares com mais de 72 horas, readmissão em até 28 dias da alta hospitalar, insuficiência cardíaca em até 28 dias do diagnóstico e morte em até 28 dias do diagnóstico, estratificados por idade, sexo e status vacinal.

Resultados

A coorte do estudo incluiu 4.931.775 indivíduos. Entre esses, 4.155.361 foram vacinados contra Covid-19, sendo a maioria (83,8%) com o imunizante da Pfizer e 12% com o da Moderna. Dos vacinados, 98,1% dos que receberam a vacina da Pfizer e 96,9% dos que receberam a Moderna foram imunizados com duas doses.

Durante o período de seguimento, foram identificados 269 casos de miocardite ou miopericardite, dos quais 73% ocorreram em homens e 40% possuíam entre 12 e 39 anos. Entre os vacinados, 48 indivíduos apresentaram miocardite e 21, miopericardite nos 28 dias seguintes à vacinação.

Indivíduos vacinados com Pfizer apresentaram um aumento na taxa de miocardite e miopericardite nos 28 dias após a vacinação, mas de forma não significativa (HR ajustada = 1,34; IC 95% = 0,9 – 2,0). O mesmo aconteceu quando a se analisou a faixa etária de 12 a 39 anos (HR ajustada = 1,48; IC 95% = 0,74 – 2,98). Já os vacinados com o imunizante da Moderna apresentaram um aumento significativo na taxa de miocardite ou miopericardite (HR ajustada = 3,92; IC 95% = 2,30 – 6,68). Novamente, os resultados foram semelhantes no estrato etário de 12 a 39 anos, com aumento estatisticamente significativo no grupo de vacinados com Moderna quando comparado com os não vacinados (HR ajustada = 5,24; IC 95% = 2,47 – 11,12). De forma interessante, para ambos os imunizados, houve redução no risco de parada cardíaca ou morte (HR = 0,51; IC 95% = 0,49 – 0,53 para Pfizer e HR = 0,41; IC 95% = 0,37 – 0,46 para Moderna) quando comparados com os não vacinados.

A taxa absoluta de miocardite ou miopericardite em 28 dias após administração de qualquer vacina de RNAm contra Covid-19 foi de 1,7 a cada 100.000 indivíduos vacinados (IC 95% = 1,3 – 2,2). As taxas para Pfizer e Moderna foram de 1,4 (IC 95% = 1,0 – 1,8) e 4,2 (2,6 – 6,4) a cada 100.000 indivíduos, respectivamente.

As taxas por 100.000 indivíduos por grupos de interesse e por imunizantes estão resumidas abaixo. Não foram registrados casos de miocardite e nem de miopericardite em pessoas com 12 a 17 anos imunizados com Moderna, mas o número de vacinados nesse grupo específico foi pequeno.

Na análise por sensibilidade, ambas as vacinas foram associadas de forma significativa com a ocorrência de miocardite ou miopericardite em mulheres (HR ajustada = 3,73; IC 95% = 1,82 – 7,65 e HR ajustada = 6,33; IC 95% = 2,11 – 18,96 para Pfizer e Moderna, respectivamente). Entretanto, em homens, somente o imunizante da Moderna esteve associado a miocardite ou miopericardite de forma significativa, com uma HR ajustada de 3,22 (IC 95% = 1,75 – 5,93).

Para Pfizer, não houve associação de qual dose da vacina — se primeira ou segunda — e a ocorrência do desfecho primário. Para a vacina da Moderna, somente vacinação com a segunda dose teve associação estatisticamente significativa. O status vacinal não se mostrou relacionado ao desfecho clínico dos participantes que desenvolveram miocardite ou miopericardite.

A infecção pelo SARS-CoV-2 esteve associada a um aumento de 14 vezes no risco de parada cardíaca e morte em 28 dias após o teste positivo em comparação com indivíduos não infectados no seguimento.

Mensagens práticas

Nesse estudo com a população dinamarquesa, vacinação com o imunizante da Moderna esteve associado à ocorrência de miocardite e miopericardite. Para a vacina da Pfizer, tal associação só esteve presente em mulheres.

A taxa de miocardite e miopericardite foi, no geral, cerca de 3 a 4 vezes maior com a Moderna do que com Pfizer.

O número absoluto de eventos foi pequeno e os desfechos clínicos dos indivíduos vacinados que desenvolveram miocardite ou miopericardite foram, em sua maioria, leves.

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Tia carmen

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