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Comissão da Assembleia do RS recebe relatório sobre caso de Ruy Irigaray, investigado por usar assessores em trabalhos pessoais

Por Editor em 24/11/2021 às 16:58:32
Sob a alegação de sigilo processual, não foi divulgado o teor do documento. Membros da comissão votam relatório em sessão marcada para segunda-feira (29). Defesa de deputado do PSL não comentou ocorrido. Subcomissão apura denúncias de ex-assessores contra o deputado Ruy Irigaray (PSL)

Gabinete Ruy Irigaray/Divulgação

A subcomissão criada pela Comissão de Ética da Assembleia Legislativa (AL) do Rio Grande do Sul para investigar o deputado estadual Ruy Irigaray (PSL) recebeu, nesta quarta-feira (24), o relatório que pode resultar na cassação do mandato do parlamentar. Entre outras suspeitas, Irigaray é investigado por usar assessores do parlamento para reformar a casa da sogra na Zona Sul de Porto Alegre. O caso foi revelado em fevereiro pelo Fantástico, em reportagem produzida pela RBS TV.

O responsável pela defesa de Ruy Irigaray, o desembargador aposentado e ex-presidente do Tribunal de Justiça do RS José Aquino Flôres de Camargo não quis comentar o ocorrido. A RBS TV também aguarda retorno da assessoria do parlamentar. O advogado Lúcio de Constantino, que defendeu o deputado na fase de investigação da subcomissão, limitou-se a dizer que o relatório tem interesses políticos.

O relator do processo, Beto Fantinel (MDB), entregou o parecer no começo da tarde ao presidente da Comissão de Ética, Fernando Marroni (PT). Sob a alegação de sigilo processual, não foi divulgado o teor do documento.

"Tratamos o caso com seriedade e sem corporativismo, com o objetivo de entregar justiça ao parlamento e a sociedade gaúcha. Foi essa a promessa que nós fizemos quando assumimos a relatoria", afirma Fantinel.

Também estavam presentes os deputados Mateus Wesp (PSDB) e Dalciso Oliveira (PSB), que participaram das apurações, e o procurador da AL Fernando Ferreira.

Deputados Wesp, Fantinel, Marroni, Oliveira e o procurador Fernando Ferreira

AL-RS/Divulgação

Na segunda-feira (29), o relatório será lido e votado pelos 12 integrantes da Comissão de Ética, em sessão marcada para às 9h. Se for aprovado com penalidade, o parecer será submetido à Comissão de Constituição e Justiça e depois ao plenário, que confirma ou não a proposta de punição. Em seis meses, foram ouvidas 31 testemunhas e produzidas mais de 1,2 mil páginas de documentos.

Irigaray também é investigado pelo Ministério Público.

Assessores denunciam deputado por usar servidores para reformar casa de luxo no RS

Histórico

Irigaray foi eleito em 2018 com 102,1 mil votos, prometendo lutar contra a corrupção. Além da reforma na casa da sogra, o deputado também teria organizado um suposto esquema de "rachadinha" para exigir parte dos salários de assessores, conforme relato de duas ex-funcionárias.

Principais testemunhas das investigações, as ex-assessoras Cristina Nêrbas e Beatriz Conter disseram que o parlamentar criou um "gabinete do ódio" para atacar colegas de partido usando perfis falsos em redes sociais. O relato foi comprovado pela reportagem, que teve acesso a trocas de mensagens contendo logins e senhas desses perfis. Um deles foi utilizado em postagem contra o deputado federal Bibo Nunes (PSL).

Mostrando fotos e diálogos em aplicativo de mensagens, Nêrbas também diz que trabalhava como babá das filhas de Ruy. Entre as tarefas dos assessores que nada tinham a ver com o expediente na Assembleia, estava a de levar o cachorro da família ao veterinário.

Relatório aponta 'desvio de função' de ex-assessores

Nos últimos meses, o caso trouxe a público diversas controvérsias. Uma delas envolveu um assessor que, em conversa gravada pelo repórter Giovani Grizotti, admitiu que ter sido orientado a mentir durante as investigações, para livrar o deputado.

"Eu fui orientado pelo advogado dele, daí ele começou a falar coisa que, como eu poderia perder meu emprego, aquela coisa toda. E eu preciso trabalhar, e aquela coisa toda, entendeu?”, disse na época.

Posteriormente, o assessor voltou atrás e negou ter mentido ao MP por orientação do advogado do parlamentar. A defesa de Ruy Irigaray alega que o assessor teria sido coagido a dar a declaração, o que é desmentido pela gravação, e que o processo contra o advogado dele foi arquivado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Apesar disso, o homem continua empregado trabalhando para o deputado, quatro meses após a revelação do áudio. O último contracheque, de outubro, registrou salário de R$ 2.943,33.

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