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Polícia indicia estudante de filosofia da UFRGS por racismo qualificado: 'Atinge coletividade'

Por Gê do Poa em 15/10/2021 às 17:38:29

Álvaro Hauschild, de 29 anos, enviou mensagens de teor racista à namorada de outro aluno da universidade, que é negro. Pena varia de 2 a 5 anos. Ele nega que tenha cometido crime. Inquérito policia foi concluído nesta sexta-feira (15), no RS.

Polícia Civil/Reprodução

A delegada Andréa Mattos, titular da Delegacia de Polícia de Combate à Intolerância, concluiu nesta sexta-feira (15) o inquérito que investiga um caso de racismo de um doutorando de filosofia da UFRGS. Álvaro Hauschild, de 29 anos, será indiciado por racismo qualificado.

O g1 tenta contato com o estudante, mas, até a publicação desta reportagem, não havia obtido retorno.

"É racismo qualificado em razão das publicações em sites e blogs. Tem uma vítima direta, que o Sérgio, mas atinge uma coletividade. Discriminou toda a integridade de uma raça", afirma Mattos.

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O crime foi enquadrado no artigo 20 da lei 7.716, de 5 de janeiro de 1989, segundo o qual é proibido "praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional". No caso de Hauschild, ainda foi acrescida a qualificadora do parágrafo segundo, que aumenta a pena de reclusão para dois a cinco anos se "qualquer dos crimes previstos (...) é cometido por intermédio dos meios de comunicação social ou publicação de qualquer natureza".

O estudante é suspeito de enviar mensagens de teor racista à namorada de Sérgio Renato da Silva Júnior, de 24 anos, estudante de Políticas Públicas da mesma universidade. Além disso, Hauschild é o autor de textos em que questiona, por exemplo, a existência do holocausto, que foi o extermínio de 6 milhões de judeus pela Alemanha nazista durante a 2ª Guerra Mundial.

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Por conta disso, ele é alvo de investigações tanto da Polícia Civil quanto do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da UFRGS. Ele nega que tenha cometido os crimes, mas admite ser o autor das mensagens.

O Centro Acadêmico de Políticas Públicas (CAPP) da UFRGS, ao qual pertence o estudante vítima de racismo, está à frente da organização do abaixo-assinado. Outros 19 centros e diretórios acadêmicos apoiam o pedido.

Relembre o caso

Polícia investiga queixa de racismo de estudante da UFRGS: 'Exala um cheiro típico'

Na conversa que Hauschild teve com a namorada do estudante, ele afirma que ela "merece coisa melhor", faz afirmações como a de que os negros possuem características genéticas diferentes e exalam "cheiro típico".

"Ele confirma que escreveu tudo aquilo, mas acredita que não configure nem injúria, nem racismo", diz a delegada Andréa Mattos, que investiga o caso. Segundo ela, Hauschild prestou queixa em uma delegacia distrital, alegando sofrer calúnia.

A Polícia Civil recebeu textos, dos quais Hauschild é o autor, com ideias semelhantes às das mensagens. As publicações foram apagadas, mas são investigadas pela polícia. A delegada ainda confirma que Hauschild tem antecedentes criminais, mas por fatos que não têm relação com questões raciais.

Entenda a diferença entre racismo e injúria racial

O jovem vítima de racismo relatou ao g1 que Hauschild começou a enviar mensagens para sua namorada no dia 29 de setembro. A primeira impressão do casal foi de que seria um flerte. Porém, ao longo da conversa, eles suspeitaram que o cunho era racista.

Os dois passaram a instigar o suspeito a argumentar sobre seu pensamento. Ao ser questionado sobre as motivações das mensagens, Hauschild teria mantido os ataques, inclusive com questionamentos sobre futuros filhos do casal e suposta perda da "carga genética prussiana".

A empresa Kotter Editorial, de Curitiba (PR), que havia publicado um livro do estudante, chegou a anunciar a retirada de circulação da obra e o recolhimento da publicação de livrarias.

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