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Hospitais de Porto Alegre recebem nova remessa de radiofármacos e retomam atendimentos de pacientes com câncer

Por Editor em 06/10/2021 às 16:18:30

Produção dos insumos havia sido suspensa após órgão federal ficar sem verba para operar. Hospital de Clínicas diz que ainda aguarda entrega de iodo para pacientes com câncer na tireoide. Paciente submetido a procedimento contra o câncer em hospital de Porto Alegre.

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Hospitais de Porto Alegre que tiveram o atendimento de pacientes com câncer prejudicado pela falta de radiofármacos e radioisótopos retomaram os procedimentos nesta semana. As instituições de saúde receberam novas remessas o insumo, após o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN) suspender a produção dos medicamentos por falta de verba.

O Instituto do Cérebro (InsCer), da PUCRS, recebeu os insumos na segunda-feira (4). Conforme o hospital, a capacidade de atendimento foi retomada e estão garantidos os procedimentos marcados até 18 de outubro.

"A partir dessa data, caso não haja reabastecimento, será necessário um novo esquema de ajustes e reagendamentos", diz o InsCer em nota.

Quando da falta dos insumos, o médico Diego Pianta estimou que de 65 a 70 pacientes ficariam prejudicados. Segundo o especialista, a medicina nuclear depende dos insumos produzidos pelo IPEN.

"Se a gente não tem o tecnécio, a gente para a medicina nuclear no Brasil. Tudo depende de tecnécio", afirmou na ocasião.

O Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), vinculado à UFRGS, diz ter recebido o gerador de tecnécio nesta semana. Com isso, os exames já voltaram a acontecer, com o reagendamento dos pacientes.

Por outro lado, o iodo, utilizado para tratamento de algumas doenças da tireoide, deve chegar na próxima semana. Só assim a unidade deve retomar o tratamento dos pacientes com câncer.

O Grupo Hospitalar Conceição (GHC) e o Hospital Santa Rita, da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, já haviam afirmado que não tinham maiores problemas envolvendo os isótopos, bem como a Federação dos Hospitais e Estabelecimentos de Saúde do RS (FEHOSUL).

Hospital de Clínicas de Porto Alegre

Reprodução/RBS TV

Falta de recursos

O Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCTI) do governo federal, anunciou a suspensão da produção de produtos radiofármacos e radioisótopos em 14 de setembro. A interrupção começou no dia 20 de setembro.

O órgão afirmou que sofreu um grande corte no orçamento federal em 2021 e que precisava de R$ 89,7 milhões para continuar a produção dos insumos até o fim de dezembro deste ano. O MCTI chegou a liberar R$ 19 milhões para o IPEN, contudo, a verba corresponde apenas a 21% do necessário. A pasta afirma que o ingresso de recursos depende de aprovação no Congresso.

Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, o Ipen

Reprodução/TV Globo

Radiofármacos e radioisótopos

Os insumos como tecnécio e iodo são utilizados no diagnóstico e no tratamento de câncer, mas também em pacientes com outras doenças.

O exame de cintilografia, por exemplo, é uma técnica de diagnóstico por imagem feita com tecnécio em pacientes com problemas cardíacos, renais e pulmonares, inclusive embolias provocadas pela Covid-19.

Não é possível armazenar o isótopo em razão de sua meia-vida, que é o tempo necessário para que metade dos átomos de um isótopo radioativo se desintegre.

Sem verba, Ipen esgota insumos para tratar e diagnosticar câncer

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