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Caso Rafael: filho pede absolvição de mãe por morte do irmão; pai de vítima também foi ouvido

Por Editor em 17/01/2023 às 20:12:12

Alexandra Dougokenski é acusada de matar o filho, Rafael Mateus Winques, de 11 anos, em Planalto, no Norte do RS, em maio de 2020. Corpo do menino foi encontrado 10 dias após desaparecer. Julgamento começou na segunda-feira (16). Caso Rafael: filho pede absolvição de mãe por morte do irmão

O segundo dia do júri da morte de Rafael Mateus Winques, de 11 anos, nesta terça-feira (17), ouviu familiares da vítima e da ré, a mãe do menino, Alexandra Dougokenski. Ela está presa desde a época da morte e é acusada de quatro crimes: homicídio qualificado, ocultação de cadáver, falsidade ideológica e fraude processual.

O primeiro a depor foi ex-namorado de Alexandra, Delvair Pereira de Souza. Mais tarde, o filho dela e irmão de Rafael, Anderson Dougokenski, e o pai da vítima, Rodrigo Winques, foram ouvidos.

Hoje com 19 anos, Anderson pediu a absolvição da mãe pela morte do irmão.

"Se pudessem absolver a minha mãe, a vida mudaria muito. Eu sei que não foi ela", disse.

Caso Rafael: Anderson Dougokenski, filho de Alexandra, presta depoimento

Juliano Verardi/TJRS

Durante a tarde os jurados ouviram a mãe da ré e avó de Rafael, Isailde Batista. Uma ex-professora do menino também testemunhou no caso. As sessões foram encerradas com os depoimentos de Alberto Moacir Cagol, tio da vítima e irmão da denunciada, e a perita criminal Bárbara Zaffari Cavedon. Veja o que eles disseram abaixo.

Rafael morreu por asfixia provocada por estrangulamento, segundo a perícia. O primeiro júri, em março de 2022, foi encerrado após cerca de 11 minutos, devido a um desentendimento entre a defesa e a acusação.

Caso Rafael: Alexandra Dougokenski no segundo dia do júri

TJRS/Divulgação

Depoimentos

O primeiro a depor neste 2º dia foi o ex-namorado da ré, Delair Pereira de Souza. Os dois se conheciam há quase dois anos e estavam se relacionando há cerca de seis meses, na época do crime. Ele começou falando sobre como estavam Alexandra e Rafael antes da morte do menino.

Delair destacou que via Rafael como um filho e que a dinâmica do crime só poderia ser explicada por Alexandra, já que teria sido ela a responsável pelo assassinato. "Já está mais do que na hora dela falar a verdade. Olha o sofrimento que ela vem causando à família dela. Até para o Rafa poder descansar. Sofrimento à comunidade de Planalto", disse.

Segundo o ex-namorado, Alexandra nunca se mobilizou para procurar Rafael durante o desaparecimento.

Delair conta que Alexandra disse a ele que havia sido Rodrigo, pai do Rafael, que havia assassinado o filho. Delair disse a ela que sabia que era mentira. Segundo ele, Alexandra mudou diversas vezes sua versão do que aconteceu. Além disso, Delair sabia que Rodrigo "tinha álibi como eu". Delair estava em outra cidade, a trabalho, quando o assassinato teria acontecido. Rodrigo também estava em outra cidade.

Caso Rafael: Delair Pereira de Souza, ex-namorado de Alexandra, fala no julgamento

TJRS/Divulgação

Na sequência, prestou depoimento o filho de Alexandra e irmão de Rafael, Anderson Dougokenski. Questionado sobre a relação com a mãe, ele disse. "Ela foi meu pai e minha mãe e sempre vai ser".

Anderson Dougokenski diz que só gostou de Rodrigo Winques, pai de Rafael, no início da relação do padrasto com a mãe Alexandra. "Foi o cara que terminou com a minha vida. Eu fui abusado várias vezes por ele", relatou.

Quando se deram conta do desaparecimento, ele disse que ligou para o padrasto para saber do paradeiro do irmão e ouviu de volta "que Rafa?". Relatou também que Rodrigo sempre foi "violento".

"Ela sempre disse que não queria que eu a abandonasse e sempre pediu perdão", disse Anderson sobre carta que a mãe Alexandra escreveu na prisão.

Anderson abraça a mãe, Alexandra, ré pela morte de Rafael Winques, em Planalto

Juliano Verardi/TJ-RS

O pai de Rafael, Rodrigo Winques, solicitou que Alexandra Dougokenski não estivesse na sala durante a oitiva, o que foi atendido pela juíza. O homem afirmou que ajudava financeiramente o filho quando podia e que viu Rafael no início da pandemia, semanas antes da morte do menino.

Rodrigo contou aos jurados que Alexandra dificultava o contato dele com o filho. A testemunha também negou ter problemas com o antigo enteado, Anderson.

"O meu desentendimento era com a mãe dele", contou.

Questionado sobre o porquê de nunca ter pedido a guarda de Rafael, Rodrigo Winques alegou que "pedir é uma coisa, levar é outra".

Rodrigo Winques, pai de Rafael, durante júri em Planalto

Juliano Verardi/TJ-RS

Em um depoimento curto, a professora disse que Rafael Ladjane Ravagio "sempre foi muito reservado e aparentemente gostava da mãe".

Mãe de Alexandra e avó de Rafael, Isailde Batista afirmou que a filha seria uma "mãezona" e que "Rafael nunca chamou aquele homem [Rodrigo] de pai". A mulher ainda defendeu a inocência da filha.

"Ela não mata uma formiga", disse Isailde.

Isailde Batista, mãe da ré, Alexandra Dougokenski, durante júri em Planalto

Juliano Verardi/TJ-RS

Alberto Moacir Cagol, tio de Rafael e irmão de Alexandra, disse que a ré era uma boa mãe para os filhos. A testemunha disse que tanto Rafael quanto Alexandra chamavam o pai de menino de "Demo" e que a vítima não queria morar com o pai.

Segundo Alberto, Rafael relatou que Rodrigo teria tentado matar Alexandra em casa. Testemunha afirma que pai do menino tinha arma e andava armado. O irmão da acusada se recusou a responder perguntas do MP, após a acusação mostrar um vídeo antigo em que ele comentava o caso.

A perita criminal Bárbara Zaffari Cavedon foi a última testemunha ouvida nesta terça. A servidora pública foi questionada sobre a reprodução simulada dos fatos. A perita relatou que Alexandra não conseguiu carregar o boneco representando Rafael durante reconstituição do crime por conta das dimensões do manequim.

A perita Bárbara Zaffari Cavedon afirmou que Alexandra detalhou como posicionou corda no corpo de Rafael, sem mencionar ter feito nós. "Ela referiu até que começou a fazer alguns estalos quando ela estava puxando o corpo, puxando, enfim, a corda para fazer o carregamento do Rafael. E que aí, nesse momento, ela se deu conta que a corda estaria no pescoço do Rafael", disse a testemunha.

Alberto Moacir Cagol, tio de Rafael e irmão de Alexandra, durante depoimento

Juliano Verardi/TJ-RS

Relembre o caso

Rafael desapareceu no dia 15 de maio de 2020. Alexandra sustentava que ele teria ido dormir e, na manhã seguinte, não estava mais em casa. Dez dias depois, ela confessou que havia assassinado o filho e indicou a localização do corpo, dentro de uma caixa de papelão em um terreno da casa vizinha.

Segundo o Ministério Público, responsável pela acusação, Alexandra teria feito com que o filho tomasse dois comprimidos de Diazepam, um ansiolítico com efeito calmante, sob o pretexto de que ele dormiria melhor. Assim que o medicamento fez efeito, Alexandra teria estrangulado o menino com uma corda.

A ré apresentou diferentes versões do crime ao longo do inquérito e da instrução judicial. Por fim, passou a acusar o pai de Rafael, Rodrigo Winques. A defesa dele nega.

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Tia Carmen
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