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Polícia fará novas investigações sobre morte em show de Luísa Sonza em Porto Alegre

Por Gervásio do POA 24h 23/11/2022 às 18:15:13
Delegacia recebeu pedido do Ministério P√ļblico e tem 45 dias para entregar resultado de apuração. Cinco pessoas haviam sido indiciadas por omissão de socorro. Veterin√°ria Alice de Moraes, 27 anos, passou mal durante apresentação. Alice de Moraes, de 27 anos passou mal e morreu em um show da cantora Luisa Sonza em Porto Alegre

A Pol√≠cia Civil ir√° retomar as investigações sobre a morte de uma mulher durante o show da cantora Lu√≠sa Sonza em Porto Alegre no dia 16 de julho. Em setembro, cinco pessoas foram indiciadas por omissão de socorro no atendimento da veterin√°ria Alice de Moraes, de 27 anos. Ela passou mal durante a apresentação, realizada no Pepsi On Stage, e procurou uma ambul√Ęncia. Segundo testemunhas, houve neglig√™ncia e demora no atendimento.

Na terça-feira (22), a 4¬™ Delegacia de Pol√≠cia da Capital recebeu o pedido de novas dilig√™ncias feito pelo Ministério P√ļblico (MP). Segundo a delegada Laura Lopes, o trabalho "ser√° realizado dentro dos 45 dias de prazo".

O g1 entrou em contato com o MP, mas não obteve retorno até a atualização mais recente desta reportagem.

Segundo a defesa da fam√≠lia de Alice de Moraes, foram solicitadas imagens das c√Ęmeras de segurança da casa de festas, documentação que comprove o atendimento e registro dos sinais vitais da v√≠tima, registros de chamadas telefônicas da técnica de enfermagem com o médico regulador, além de novos depoimentos dos indiciados e de testemunhas. A delegada Laura Lopes não confirmou o teor dos pedidos, a fim de preservar a investigação.

A defesa da fam√≠lia de Alice espera que, com a retomada das investigações, os indiciados possam responder por homic√≠dio doloso. "A partir da inclusão de informações importantes que ficaram de fora do inquérito inicial, vamos conseguir comprovar que eles assumiram o risco ao negligenciar o atendimento à jovem", diz o advogado Eduardo Jobim.

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Inquérito

Quatro dos indiciados no inquérito são ligados à empresa Transul Emerg√™ncias Médicas: um sócio, um médico, uma técnica em enfermagem e um condutor de ambul√Ęncia. Além disso, foi indiciada uma sócia da 6-PRO Eventos Empresariais, com o nome fantasia de Opinião Produtora.

Na época do indicamento, a Transul afirmou que "a conclusão da per√≠cia não aponta nenhuma circunst√Ęncia que indique erro ou omissão no atendimento prestado, reafirmando que seus profissionais atuaram dentro das regras de conformidade existentes na √°rea da sa√ļde". J√° Opinião Produtora disse que aguardaria "a comunicação da conclusão da investigação policial e, após, a consequente avaliação por parte do Ministério P√ļblico".

Segundo o delegado, depoimentos e imagens analisadas confirmaram a hipótese de omissão de socorro. "Não resta d√ļvidas de que a v√≠tima, a qual estava em estado de total vulnerabilidade, deixou de ser socorrida da forma correta", disse no inquérito.

Previsto pelo Código Penal, o crime de omissão de socorro prev√™ pena de detenção de um a seis meses ou multa. A pena é aumentada pela metade caso a omissão resulte lesão corporal de natureza grave e, triplicada se resulta a morte.

A per√≠cia considerou que a causa da morte da mulher é indeterminada. A pol√≠cia afirma que foram encontradas amostras de √°lcool e de um medicamento antidepressivo no corpo da v√≠tima, mas que não é poss√≠vel fazer relações entre os efeitos das subst√Ęncias e o óbito.

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Relembre o caso

Pouco mais de 30 minutos após o in√≠cio do show, Alice informou a uma amiga, Camila Rodrigues, que iria ao banheiro. Porém, a jovem teria enviado uma mensagem pelo celular por volta de 2h dizendo que tinha passado mal e estava na ambul√Ęncia.

"Eu fui correndo e encontrei ela l√°, desacordada, sentada ao lado da ambul√Ęncia em uma cadeira branca, deitada. Eu questionei a enfermeira como ela tinha chegado ali, e a enfermeira me relatou que ela própria, a enfermeira, tinha escrito a mensagem. (...) Eles me falaram que tinham encontrado ela desacordada no banheiro", contou a amiga, na época do caso.

Camila afirmava que o atendimento foi realizado de forma negligente e demorada. "A gente foi muito maltratada nas tr√™s horas que a gente esteve ali, clamando socorro pela Alice. Eu comecei a questionar o que eles tinham feito, se eles tinham dado alguma medicação, se eles tinham dado √°gua, e ela disse que eles não poderiam ajudar, não poderiam atender ela e me orientaram a chamar um Uber", conta.

irmã da v√≠tima, Andreia Moraes, que também estava no show, afirmou que Alice não tinha recebido nenhum tipo de remédio. A equipe de socorro teria dito que a jovem não poderia ser medicada por ter sido submetida a uma cirurgia bari√°trica e que precisava ir para casa dormir.

Contudo, ao perceber a perda de sinais vitais de Alice, a irmã chamou outra vez a equipe médica. Só então eles teriam levado a jovem para dentro da ambul√Ęncia e tentado um procedimento mais eficiente.

"Ela j√° estava roxa, com a boca roxa, j√° não tinha nenhum tipo de resposta. Eles me tiraram de dentro da ambul√Ęncia para começar as manobras de ressuscitação. Depois, sei l√°, de uma meia hora, chegaram duas ambul√Ęncias: uma da mesma empresa e outra do Samu. J√° tinha chegado pol√≠cia, enfim, mas ela j√° tinha ido a óbito", afirmou a irmã na ocasião.

O caso foi comentado pela cantora Lu√≠sa Sonza, que manifestou pesar pela morte da fã. "Só soube ontem de tudo que aconteceu e tô arrasada com isso. (...) Desejo muita força a fam√≠lia e espero que o caso seja apurado o mais r√°pido poss√≠vel", escreveu em uma rede social.

Nas semanas seguintes ao caso, familiares e amigos protestaram pedindo justiça nas investigações.

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