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Casal de idosos foram mortos em assalto dentro de casa em Liberato Salzano

Bandido invadiu a casa de Saul Meotti, 74 anos, e da esposa, Audila Lampugnani Meotti, 75, e atirou nos dois; neto deles ficou ferido

Por Ge do Poa em 20/09/2022 às 23:02:59

A história de vida de Saul Meotti, 74 anos, e da esposa, Audila Lampugnani Meotti, 75, mortos dentro de casa , no município de Liberato Salzano, já havia comovido os moradores do município do norte do estado antes. Cerca de 6 anos atrás, quando descobriu um câncer de mama, Audila travou uma batalha incansável contra a doença. Com o apoio do marido, ela venceu o tumor e seguia ativa, conforme familiares.

No último dia 8, a história dos idosos, casados havia mais de 50 anos, voltou a comover os moradores da cidade. Em uma invasão à residência,foram baleados e mortos por um bandido. Meotti morreu na hora e Audila perdeu a vida a caminho do hospital. O caso é investigado pela Polícia Civil como latrocínio.

Até aquela quinta-feira, a rotina dos dois era ativa. De dia, trabalhavam no bar e minimercado que tocavam juntos havia quase cinco décadas na comunidade de Linha Pinhalzinho Alto, no interior de Liberato Salzano. O trabalho começava pela manhã e ia até o fim da tarde. A residência do casal ficava ao lado do comércio e os dois atendiam a freguesia mesmo em finais de semana e feriados. Sempre que era preciso, Meotti pegava o carro e ia até um atacado, para repor mercadorias.

A rotina também incluía o cuidado com a lavoura nas terras da família, que o casal supervisionava. Além de almoços e jantares com familiares, eles também costumavam frequentar festas e confraternizações da comunidade. Audila também gostava de andar a cavalo e fazia exercícios ao ar livre, em uma academia perto da casa.

— Eles estavam muito bem. Iam a festas, almoços, eram muito queridos por todos aqui, participavam da comunidade. Meu pai fazia os briques, vendas pela região, ia para a roça, serrava lenha. A mãe fazia academia, andava a cavalo. Estava sempre brincando, ela pegava a bola aqui no pátio, dava "um balão". Eram de uma força que não se imagina — lembra o filho, Cleber Meotti, 45.

Uma das atividades preferidas do casal era ficar com a bisneta, de quatro anos, que os visitava a cada 15 dias.

— Ela estava sempre na volta da "nona". Ficava junto no bar, ganhava doces. A bisneta era a alegria deles.

Natural do município de Constantina, Meotti se mudou, ainda na infância, com os pais, para Linha Pinhalzinho Alto, assim como Audila, que nasceu em Santa Catarina e chegou a localidade aos seis anos, com a família. Foi no norte do RS que os dois se conheceram, engataram namoro e casaram. Da união, vieram os dois filhos, Cleber, que morava com o casal, e Clóvis, que reside atualmente no Mato Grosso.

No começo da vida de casados, os dois trabalhavam na lavoura. Depois, passaram a atender no minimercado da família. Segundo Cleber, eles nunca haviam sido assaltados, nem no bar nem em casa.

Neto tentou socorrer avós

A invasão a residência aconteceu por volta das 19h30 do dia 8, quando um homem encapuzado entrou no local e encontrou o casal na cozinha. O minimercado, ao lado, já estava fechado naquele horário.

No momento do assalto, o filho de Cleber se aproximava da casa dos avós. No caminho, ele disse ter ouvido gritos de Audila pedindo ajuda. Segundo Cleber, o jovem de 23 anos mora a cerca de cem metros de onde os avós viviam e costumava passar no local antes de ir para o trabalho.

— Ele sempre ia na casa dos avós antes, conversava com eles, via como estavam, e dali ia trabalhar. Naquele dia, chegando ali, ouviu a avó pedindo ajuda. Entrou na casa e encontrou os dois nonos no chão, o assaltante em cima do avô. Ele perguntou o que estava acontecendo e nisso já foi baleado. Foi tudo muito rápido. Saiu correndo para se proteger e pedir ajuda, mas logo depois ouviu mais dois tiros — relata Cleber.

Audila e Meotti foram baleados na cabeça. O idoso morreu na hora. Audila chegou a ser socorrida, mas morreu a caminho do hospital. O neto do casal foi atingido por um tiro no abdômen, mas já está recuperado, segundo a família.

— Ele não quis atendimento no começo, socorreu a avó e ficou o tempo todo ao lado dela. Depois foi ao enterro — lembra Cleber.

Apesar de morar na casa com os pais, Cleber conta que estava em Caxias do Sul, na serra, naquele dia. Ele atua como caminhoneiro e se preparava para realizar mais um frete.

A morte do casal comoveu moradores e o sepultamento, no cemitério do município, foi realizado junto de dezenas de amigos.

Investigação

De acordo com o delegado Tiago Bittencourt, que comanda o inquérito, o caso é investigado como latrocínio (roubo com morte). As equipes realizam diligências para identificar o atirador.

— A gente acredita que foi um assalto malsucedido. Talvez o criminoso tenha sido surpreendido pela chegada do neto das vítimas ao local, um fator que não esperava. Possivelmente se trate uma pessoa inexperiente, que se assustou, e a situação saiu do controle. Trabalhamos com dois latrocínios consumados e um tentado. Não há nenhum indício que aponte para um homicídio, uma vingança ou algo do tipo — afirma o delegado.

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