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UFRGS participa de pesquisa que busca mapear o perfil de jovem cientista brasileiro

Por Editor em 15/08/2022 às 11:08:20
Questionário deve ser respondido até 31 de agosto por quem concluiu o doutorado a partir de 2006 e tem vínculo com instituições de ensino e pesquisa. Dados poderão orientar políticas públicas para a carreira. A meta é alcançar 10 mil pesquisadores de todas as áreas. Pesquisa busca traçar perfil de jovem cientista brasileiro

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) é uma das executoras de uma pesquisa nacional que busca mapear o perfil dos jovens cientistas brasileiros. Pesquisadores que tenham defendido o doutorado a partir de 2006 e que tenham vínculo formal com instituição de ensino e pesquisa, pública ou privada no Brasil ou no exterior, podem responder ao questionário até 31 de agosto no site.

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"A gente precisa fornecer suporte empírico para formulação de políticas públicas porque muito se fala, mas a gente não tem os dados", explica a professora da UFRGS e uma das gestoras da pesquisa "Perfil do Cientista Brasileiro", Ana Chies Santos.

Com as informações em mãos, a professora explica que os 87 membros afiliados da Associação Brasileira de Ciências (ABC), que formularam a pesquisa, levarão o diagnóstico às agências de fomento. Ao lado da UFRGS, a ABC é executora do projeto, que tem parceria da Parent in Science e Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

O levantamento é divulgado em todas regiões do país via redes sociais da pesquisa e a partir de sociedades científicas e programas de pós-graduação. A meta é que, até o final do mês, o questionário alcance 10 mil pesquisadores de todas as áreas do conhecimento.

Construção da pesquisa

A pesquisa pode ser respondida até 31 agosto

Reprodução

A pesquisa leva em consideração que o desenvolvimento dos cientistas brasileiros em início e meio de carreira depende de múltiplas variáveis. De acordo com a gestora, a pesquisa começou a ser elaborada em 2020 com a criação de grupos de trabalho em torno de sete temas que serviram de base para a formulação do levantamento. São eles:

Diversidade e inclusão

Internacionalização

Diáspora científica

Financiamento e interdisciplinaridade

Bolsa de produtividade

Liderança científica

Divulgação científica

A estrutura do questionário, que é anônimo, conta com perguntas sócio-demográficas, relativas a gênero, idade, raça, cor, passa pela atuação e dificuldades encontradas pelos cientistas no exercício das suas funções, questões relativas à trajetória profissional, produtividade, divulgação do resultado de suas pesquisas, além de outras ligadas aos assuntos.

Um dos principais problemas em relação à carreira científica tem sido a redução de investimentos na educação. A falta de oportunidades tem levado, inclusive, muitos cientistas a deixar o país em busca de emprego. A professora cita o pequeno número de vagas em pós-doutorados, em que os recém doutores atuam em universidades como pesquisadores a partir da concessão de bolsas, como uma das principais dificuldades.

"Os recém doutores têm pouquíssimas oportunidades", afirma.

Ela destaca que grande parte da ciência é feita por alunos de graduação e pós-graduação e entende como "urgente" que o valor das bolsas de mestrado e doutorado sejam reajustados. Bolsistas das duas principais agências de fomento federais, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e o CNPq, recebem R$ 1,5 mil no mestrado e R$ 2,2 mil no doutorado.

"Grandes lideranças mundiais como Estados Unidos e China estão aumentando o investimento e o Brasil só reduz desde 2014, 2016 ficou bem grave. A gente precisa, primeiro, que se volte a investir uma quantidade significativa do PIB em ciência. A ciência não é gasto, é investimento", afirma.

Trazer os pesquisadores de volta ao Brasil é outro desafio que exige, conforme a gestora da pesquisa, a criação de políticas para repatriar esses pesquisadores. Ela vê como grande problema o engessamento do sistema de ingresso das universidades.

"Tem que haver maneiras de atrair esses pesquisadores pra entrar em qualquer nível da carreira porque, senão, eles não vão voltar".

O questionário deve ser respondido no site da pesquisa

Reprodução/Divulgação

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