Covid-19: RS tem o maior número de internados em UTI dos últimos 56 dias

Em 20 dias, Estado passou de 155 para 347 pessoas em leitos intensivos pela doença

Por Gê do Poa em 22/01/2022 às 00:30:40

A escalada de contaminações pelo novo coronavírus já começa a pressionar a rede de saúde do Rio Grande do Sul. Nesta sexta-feira (21), o Estado tem o maior número de pacientes confirmados para a Covid-19 em Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) dos últimos 56 dias.

Fruto de uma "onda perfeita" – chegada e disseminação da variante Ômicron, que é consideravelmente mais contagiosa do que as identificadas anteriormente, somada ao período de verão, com praias lotadas e as pessoas respeitando menos os tradicionais protocolos de segurança sanitária – o crescimento rápido nas hospitalizações fez o Gabinete de Crise do governo do Estado emitir Alertas para 12 das 21 regiões Covid do RS na quarta-feira (19).

Conforme o painel de monitoramento da Secretaria Estadual da Saúde (SES-RS), o Rio Grande do Sul tem 347 pessoas internadas em estado grave com a doença nesta sexta-feira. Na quinta-feira (20), o total era de 329. Os números são os maiores registrados desde o dia 26 de novembro do ano passado, quando 356 gaúchos e gaúchas estavam em UTIs hospitalares no RS em razão da pandemia.

Desde o início de dezembro, quando eram 333 os internados em UTIs, até o começo de janeiro, as internações em leitos intensivos nos hospitais do Estado caíram vertiginosamente, chegando a 145 pacientes hospitalizados no dia 4 de janeiro – uma redução de 56,4% em um mês e três dias.

Entretanto, a curva de internações tomou um caminho diverso a partir do dia 5 de janeiro. A partir dali, os novos casos diários já cresciam em ritmo acelerado e o consequente aumento no número de internados também.

Conforme os órgãos públicos de saúde, os não vacinados são os que estão, em sua grande maioria, indo parar em hospitais com a onda da variante Ômicron. Em Porto Alegre, por exemplo, o risco de internação em leito de UTI de uma pessoa com esquema vacinal incompleto contra Covid-19 é 16,4 vezes maior do que o de uma pessoa com vacinação completa, segundo os dados do Sivep/Gripe, do Ministério da Saúde, analisados pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS).

Nos últimos 17 dias, o Rio Grande do Sul teve uma alta de 139,3% nas hospitalizações em UTI por Covid-19 – com uma média de 11,8 novas pessoas precisando de internação intensiva por dia.

Em meio a esse cenário de pressão cada vez maior, o Estado se vê encurralado com a possibilidade de que até 742 leitos de UTI específicos para o tratamento da doença. O governo federal já indicou que não irá manter o financiamento dos 1.057 leitos Covid no RS, que possuem um custeio diário de R$ 1,6 mil. O governo gaúcho já enviou um ofício à Brasília solicitando a manutenção dos recursos, mas a resposta do governo do presidente Jair Bolsonaro foi preocupante: caso sejam mantidos, os subsídios devem cair para R$ 600,00 por leito, e apenas para 315 dos atuais 1.057.

Paralelamente às internações em leitos intensivos, a rede hospitalar gaúcha também se vê pressionada pela quantidade de pacientes que chegam nas recepções dos hospitais necessitando de atendimento em leitos clínicos, com quadros menos graves da doença, mas que precisam de acompanhamento médico diário.

No dia 1º de janeiro de 2022, eram 142 pacientes internados em enfermarias no RS. Passados 20 dias, o número aumentou mais de seis vezes. Nesta sexta-feira, são 862 pessoas em leitos clínicos no Estado com a Covid-19. Em comparação ao total registrado no primeiro dia do ano, o aumento é de 507%.

Desde o dia 22 de julho do ano passado, o Rio Grande do Sul não tinha tantas pessoas necessitando de atendimento médico hospitalar clínico por causa do ovo coronavírus. Ou seja, do ponto de vista das hospitalizações clínicas, o RS regrediu seis meses neste início de 2022.


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