Em um importante evento na noite da última segunda-feira, o presidente da República em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, firmou um acordo de cooperação com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). A iniciativa visa fortalecer as ações de combate a práticas comerciais desleais e ilegais no cenário do comércio exterior brasileiro, marcando um passo significativo na parceria entre o governo e o setor produtivo.
Acordos para Fortalecer a Defesa Comercial e o Ambiente Regulatório
Ao lado do presidente da Fiesp, Paulo Skaf, Alckmin assinou dois protocolos de intenções focados na melhoria do ambiente de negócios. O primeiro, sobre defesa comercial, estabelece as bases para uma cooperação institucional entre o Ministério e a Fiesp. Seu objetivo central é promover o comércio justo e garantir a aplicação adequada dos instrumentos de defesa comercial do Brasil, combatendo práticas como o dumping. Entre as ações previstas, destaca-se a criação de uma calculadora de margem de dumping, além do intercâmbio de experiências e ferramentas técnicas entre as instituições.
O segundo protocolo aborda o ambiente regulatório, buscando desburocratizar processos, fortalecer a competitividade e aprimorar a qualidade regulatória no país. A meta é reduzir custos administrativos e regulatórios para empresas e a sociedade, além de desenvolver estratégias para diminuir barreiras e custos sistêmicos para investir e empreender no Brasil. Como medida prática, o acordo prevê a ampliação da digitalização de serviços públicos e a integração de sistemas, simplificando a vida de empresários e cidadãos. Paulo Skaf enfatizou que essas formalizações buscam uma defesa comercial eficiente para proteger os setores produtivos e os empregos nacionais de ataques injustos.
Debate sobre a Redução da Jornada de Trabalho: Fiesp Pede Adiamento
Durante a cerimônia de assinatura, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, aproveitou a ocasião para solicitar o adiamento da discussão sobre o fim da escala de trabalho 6×1. Skaf argumentou que a proximidade de um ano eleitoral tornaria o debate mais suscetível a 'emoções, sentimentos e motivações' que poderiam 'se conflituar com os interesses do país', sugerindo que a pauta fosse reaberta somente em 2027. A Federação se declarou aberta ao debate, mas propôs um momento mais propício para sua profundidade.
Alckmin Defende Redução da Jornada como Tendência Mundial
Em resposta à solicitação de Skaf, Geraldo Alckmin defendeu a necessidade e a inevitabilidade de mudanças na jornada de trabalho, ressaltando que esta é uma tendência global já em curso. O presidente em exercício ponderou que, embora seja uma realidade mundial, o debate no Brasil precisa ser aprofundado, levando em conta as distintas realidades de cada setor produtivo, evitando decisões precipitadas e garantindo a adequação das novas medidas à diversidade da indústria e do comércio nacionais.
Perspectivas Econômicas: Otimismo com Juros e Taxação Global
Em sua fala à diretoria da Fiesp, Alckmin também expressou otimismo em relação à economia. Ele manifestou confiança de que o Comitê de Política Monetária (Copom) iniciará a redução da taxa básica de juros (Selic) já em sua próxima reunião, agendada para março. Essa expectativa baseia-se na apreciação do real e na desinflação dos alimentos, fatores que, segundo ele, devem contribuir para uma melhora significativa no cenário econômico.
Adicionalmente, o ministro comentou sobre a nova medida de taxação global de 15% estabelecida pelo governo dos Estados Unidos, que tem sido aplicada a todos os países. Alckmin classificou a decisão como positiva para o Brasil, explicando que o maior problema antes residia na imposição de tarifas seletivas que taxavam apenas o Brasil. Com uma tarifa global e harmonizada, o cenário se torna mais equilibrado e, em sua visão, beneficia diretamente o país, mitigando desvantagens competitivas anteriores.
