A cidade de Peruíbe, no litoral paulista, vive dias de apreensão e emergência. Há mais de três dias, extensas áreas do município permanecem submersas, um cenário alarmante que segue impactando a vida de centenas de moradores. As fortes chuvas que caíram entre sábado (21) e segunda-feira (23) foram 46% superiores ao volume esperado para todo o mês, transformando ruas em rios e forçando quase 500 pessoas a deixarem suas casas, além de um número significativo de animais resgatados.
Apesar de uma breve trégua na terça-feira (24), a quantidade de água acumulada não permitiu o escoamento, mantendo o panorama de calamidade. Imagens aéreas revelam paisagens que remetem a manguezais, evidenciando a gravidade da situação e a interrupção completa da rotina para grande parte da população.
A Extensão da Calamidade e os Bairros Mais Afetados
Com uma área de 326,2 km² e uma população de 68.352 habitantes, segundo dados do IBGE de 2022, Peruíbe tem sofrido intensamente os efeitos das precipitações. Dentre os 91 bairros e loteamentos da cidade, quatro foram particularmente castigados pelas inundações: Caraguava e seu entorno, Jardim Ribamar, Jardim Das Flores e Vila Romar. Nessas regiões, o deslocamento se tornou uma tarefa árdua, exigindo o uso de botes, barcos e até caiaques para o resgate e a locomoção de moradores em meio às águas.
A cena de pessoas sendo retiradas de suas residências, muitas vezes com pertences mínimos, e o esforço conjunto para salvar animais, como cães, gatos, cavalos, coelhos e aves, ilustram a dimensão humanitária e ambiental da crise que se desenrola na cidade.
Resposta Oficial e Medidas de Emergência
Diante da severidade dos estragos, o prefeito Felipe Antônio Colaço Bernardo (PSD) agiu rapidamente, assinando o decreto nº 6.773/2026 na segunda-feira (23). O documento reconhece formalmente a situação de emergência em Peruíbe, com validade de 180 dias. Essa medida é crucial, pois autoriza a mobilização de todos os órgãos municipais, a convocação de voluntários e a implementação de ações emergenciais. As iniciativas abrangem desde o suporte direto à população afetada, com assistência e abrigamento, até a futura reconstrução das áreas devastadas pelas chuvas.
Balanço Atualizado: Chuvas, Abrigos e Desafios na Educação
O volume pluviométrico entre sábado e segunda-feira atingiu impressionantes 282 milímetros, superando em mais de 46% a média histórica de 192,7 milímetros esperada para o período. Este excesso de chuva resultou em 472 pessoas desalojadas, que encontraram refúgio em abrigos temporários espalhados pela cidade. Os principais pontos de acolhimento incluem a Escola Maria Amélia (com 124 pessoas), a Escola Fernando Nepomuceno (120), a Escola Prof. José Veneza Monteiro (97), a Colônia Agrícola (31) e um abrigo específico para os desalojados do Jardim das Flores (100). Além do impacto humano, mais de 70 animais de diversas espécies foram resgatados, demonstrando a abrangência da tragédia.
No setor educacional, as aulas foram suspensas na segunda e terça-feira, sendo retomadas na quarta-feira (25) na maioria das unidades. Contudo, escolas que estão servindo como abrigos temporários e a unidade de ensino Carmem Cleuser Fraga Pimentel, que ainda se encontra em área isolada, permanecem fechadas. A prefeitura ainda busca soluções para garantir o acesso à educação dos alunos desalojados e daqueles cujas escolas estão ocupadas por abrigos.
Solidariedade e Monitoramento Contínuo para Mitigar Perdas
A administração municipal reforça que o monitoramento das áreas afetadas é constante, com equipes dedicadas a mitigar os transtornos e perdas. Para a população em situação de vulnerabilidade ou que necessite de assistência, os telefones de emergência 153 e 199 estão disponíveis. Paralelamente aos esforços governamentais, o Fundo Social de Solidariedade de Peruíbe lançou uma campanha de doações, solicitando itens essenciais como lenços umedecidos, fraldas e alimentos ricos em proteína (carne e frango), que podem ser entregues na Avenida São João, 664, no Centro. A resposta coletiva e a solidariedade são fundamentais para auxiliar as famílias a superarem este momento crítico.
Com a previsão de mais chuvas nos próximos dias, a cidade permanece em alerta máximo, buscando minimizar novos impactos e garantir a segurança e o bem-estar de seus habitantes enquanto se prepara para uma longa jornada de recuperação.
Fonte: https://g1.globo.com
