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Mundo Animal

O retorno das Cigarras é um bom sinal?

O zumbido das cigarras pode chegar até 120 decibéis

26/12/2019 13h50Atualizado há 5 meses
Por: Redação
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Cicadoidea é uma superfamília da ordem Hemiptera, subordem Homoptera, que agrupa os insectos conhecidos pelos nomes comuns de cigarra e cega-rega. Existem mais de 1 500 espécies conhecidas deste insetos (sendo que a Carineta fasciculata pode ser considerada como a espécie-tipo brasileira). São notáveis devido à cantoria entoada pelos machos, diferente em cada espécie e que é ouvida no período quente do ano. Os machos destes insetos possuem aparelho estridulatório, situado nos lados do primeiro segmento abdominal, emitindo, cada espécie, um som característico.

As cigarras também são reconhecidas pela forma característica e pelo tamanho grande, que varia cerca de 15 milímetros até pouco mais de 65 milímetros de comprimento e atingindo até 10 cm de envergadura. Possuem um "bico" comprido para se alimentar da seiva de árvores e plantas onde normalmente vivem.

A importância da cigarra no ecossistema é positiva, por servir de alimento para os predadores, mas também podem constituir-se em pragas de algumas culturas. As suas ninfas vivem alimentando-se da seiva das raízes das plantas, causando sensíveis prejuízos pela quantidade de líquidos vitais que retiram e pelos ferimentos causados às raízes, facilitando a penetração de fungos e bactérias.

 

Muitas espécies de cigarra têm períodos diferentes de amadurecimento, com ciclos vitais de duração variada, enquanto as larvas ficam sob a terra. Mas sete espécies do gênero Magicicada têm uma característica adicional: elas são sincronizadas, ou seja, saem do chão todas ao mesmo tempo, para cerca de duas semanas de canto ensurdecedor, acasalamento e postura de ovos.

 

O "canto" da cigarra

Entre os insetos, as cigarras são as únicas que produzem o som estridente que todos conhecem. Algumas das espécies maiores conseguem atingir os 120 decibéis com facilidade, enquanto outras menores realizam a proeza de alcançar uma sonoridade tão aguda que seu canto simplesmente não é percebido pelo ouvido humano, embora cães e outros animais possam chegar a uivar de dor por causa dele.

Após o acasalamento, as fêmeas depositam os ovos em rachaduras nos caules de plantas hospedeiras. Depois que os ovos eclodem, as ninfas, fase jovem da cigarra, descem por fios de seda até o solo, onde elas ficam a maior parte da vida. No Brasil, o ciclo de vida desses insetos dura um ou dois anos, sendo apenas dois ou três meses fora do solo. Em outros países, como os Estados Unidos, o ciclo de vida das cigarras pode chegar a até 17 anos.

Até mesmo as cigarras se protegem contra o volume intenso de seu próprio canto. Tanto o macho como a fêmea dessa espécie de insetos possuem um par de grandes membranas que funcionam como orelhas. Elas são os tímpanos, conectados ao órgão auditivo por um pequeno tendão que reage quando o macho canta, dobrando-os para que o som alto não lhes provoque danos.

A crença de que as cigarras "explodem" quando cantam não é verdadeira. A "casca" da cigarra que encontramos presas às árvores são o exoesqueleto do inseto que realizou a última muda ou ecdise, concluindo sua forma adulta.

Alimentação

As cigarras não se alimentam de moscas, vermes ou grãos. Enquanto jovens, elas sugam a seiva das plantas pela raiz e injetam toxinas. Na fase adulta, elas também se alimentam da seiva, mas, desta vez, sugada pelo caule e folhas das plantas. Para algumas culturas, as cigarras são pragas de grande importância. Segundo o professor do Departamento de Entomologia Agrícola, Marcelo Picanço, em alguns casos as plantas morrem ou ficam depauperadas, podendo ser encontradas milhares de ninfas nas raízes. A ingazeira, os eucaliptos e abacateiros são exemplos de plantas hospedeiras prejudicadas pelas cigarras, mas é na cultura de café que as cigarras causam maiores danos. Em Minas Gerais, o ataque das cigarras aos cafezais é mais frequente na região sul do estado. A depauperação da planta causa descoloração e queda precoce das folhas, sendo mais preocupante nas épocas de seca. As consequências são quebra significante da produção e até mesmo perda total da lavoura se não for controlada a tempo.

Para controlar a praga, são utilizados inseticidas aplicados na fase chuvosa para melhor absorção das raízes e para que as ninfas sejam combatidas logo que furam os solos. Também é possível fazer o controle com o fungo Metarhizium. Mas o controle biológico é mais eficaz quando associado ao uso de inseticidas, porque, dessa forma, o fungo tem mais facilidade de penetrar nas ninfas debilitadas.

Também é possível o controle cultural, eliminando os pés de café infectados, plantando outros no local após três anos e evitando o plantio de outras plantas hospedeiras do inseto próximo às plantações.

As cigarras estão presentes em quase todas as regiões do mundo, tanto em climas quentes como frios, e têm poucos predadores. Na fase adulta, são alimento para pássaros e, enquanto ninfas, são atacadas por besouros, por alguns mamíferos como o tatu e por formigas predadoras que vivem nos solos.

A "urina da cigarra"

Quando falhamos ao tentar pegar uma cigarra, na hora que ela foge, ela costuma "urinar". No ditado popular, diz-se que ela "dá o troco pela tentativa"; entretanto, muitos dizem que na realidade, na hora que ela levanta voo, ela elimina o excesso de líquidos para deixar o corpo mais leve e facilitar a fuga. Outros dizem que seu ventre é fraco e o impulso do voo faz com que elimine o que está armazenado. Na realidade, ela está eliminando a seiva retirada da árvore e não necessariamente pondo em alvo quem a ataca. Isso não só acontece na hora do voo mas, mesmo durante a extração da seiva, isso vem a ocorrer.

Após análises, foi verificado que a substância excretada (a popular "urina da cigarra") praticamente só possui água, não sendo constatado praticamente quase nenhum resíduo tóxico.

 

Fases do ciclo de vida

 
Sequência de fotos de uma cigarra realizando ecdise em Ohio, nos Estados Unidos.

Após o acasalamento, a fêmea faz cortes na casca de um galho para depositar os seus ovos. Ela pode fazer isso repetidamente, até que ela colocou várias centenas de ovos. Quando os ovos eclodem, as ninfas recém-nascidas caem no chão. A maioria das cigarras passa por um ciclo de vida que dura de dois a cinco anos. Algumas espécies têm ciclos de vida muito mais longo, como o gênero norte-americano, Magicicada, que tem um número distinto de "crias" que passam por qualquer um de 17 anos ou, no Sul dos Estados Unidos, um ciclo de vida de 13 anos. Estes ciclos de vida longos, talvez, desenvolvidos como uma resposta a predadores, como a vespa assassina de cigarras e louva-deus.

Um predador com um menor ciclo de vida de pelo menos dois anos não pode de forma confiável depredar as cigarras. As cigarras vivem no subsolo como ninfas a maior parte da sua vida, em profundidades que variam de cerca de 30 centímetros até 2,5 metros. A alimentação das ninfas é o suco da raiz e têm fortes patas dianteiras para cavar. No final ínstar ninfal, elas constroem um túnel de saída para a superfície e emergem. Elas, então, após um período de aproximadamente duas horas, ocorre o rompimento do tegumento ao longo da linha da ecdise, por onde emerge o inseto adulto mudando (trocando de pele), em uma arvore por perto. Os exoesqueletos permanecem abandonadas, continuam agarradas à casca das árvores.

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